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terça-feira, 31 de maio de 2011

Calças

Tentei vestir calças novas
Calças mais jovens que as minhas, largas e puídas
Calças que pudessem me vestir e me dar forma
Não calças que tomassem a minha forma flácida de outrora
Como as calças de outrora que ainda tenho
Mas calças que me dessem pernas torneadas
E um sentimento de beleza que anda me faltando
Não sei porque
(ou sei, não sei...)
Sei que tentei vestir novas calças
Mas as velhas são tão mais confortáveis
Que ainda não consegui comprar as novas.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Visto meu corpo de gordo

Durante muito tempo mantive um blog sobre o processo de emagrecimento pelo qual estava passando. Ando meio sem criatividade para escrever por aqui, tem um outro projeto que tem me tomado de uma forma louca e agradável, e eu não tenho dinheiro para ficar na internet o dia inteiro. Nos próximos dias vou postar umas coisas engraçadinhas que estão no outro blog, cujo nome não vale a pena citar.

A primeira é um poema do Jô Soares, que está no excelente "O Astronauta sem Regime", seu livro de crônicas, contos e piadas, lançado há tanto tempo que nem sei mais.


Visto o meu corpo de gordo
Como armadura de um cavaleiro andante
Mas trago a agilidade do trapézio
No absurdo do meu salto.

Dias a fio desafio a física
Contrariando as leis da gravidade,
Já que a farta matéria que me cobre os ossos
Deveria me dar o ritmo das pedras.

Meu gesto é fácil e meu passo é voo.
Meu pulo é largo e espanta os tristes
E todos aqueles que, de medo,
Guardaram meus saltos no bolso da rotina.

Meu corpo livre, volumoso e leve
É como um traje espacial
E saio pelo espaço.

Não tenho tubos me ligando ao módulo
Mas já tive um cordão muito umbilical.

Eu sou o astronauta sem regime,
O Dom Quixote do carboidrato.

Jô Soares