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sábado, 22 de janeiro de 2011
Eu quero a sorte do chofer de caminhão
Prá me danar por esse mundo a fora. prá me ir sem culpa, dolo ou saudade deixada para trás? Não. Amando, sentindo, a saudade e a culpa, a ausência e a distância. Pois o chofer de caminhão sente saudade. Sente vontade de estar onde não está, tem a querência da distância para matar.
Mas eu quero a sorte do chofer de caminhão, que vai-se, a destino solto, viajando por dentro e por fora. Deixando de lado a rotina antiga, o mauparadismo da vida besta de meu Deus. Quero um sol prá cada dia, uma lua diferente a cada noite e acordar achando tudo lindo. Quero sentir-me vivo, quero amar, amar e amar mais ainda do que já amei. E me ferir, e me estrepar e aprontar estripulias, deixando minha marca em um mundo tão vasto que mal me conhece.
Eu quero beijos de cinema americano, quero mais que o simples sobreviver que a maioria de nós tem.
E, no fim, quem não quer mais?
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