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domingo, 25 de janeiro de 2015

São Paulo

Ela, que nunca me amou. Cidade fantasma, de veias sedentas de vidas. Esfomeada de sonhos e cativeiro de desejos.
Ela, desvairada, nunca entorpecida, sempre altiva, inimiga da humildade. Arrogante, prepotente, cidade que esmaga a gente.
Cidade que odeia, mastiga, com seus arranha-céus, oh, céus, dentes cinzentos, careados de brisa, chuva e sol quente, expurgando os que lhe desejam, como a broca que perfura a cárie.
Cidade de nervos à flor do asfalto, tua pele cinza, negra, branca, de mortes e vidas, tingida do vermelho do sangue do operário que acorda para te encontrar. Cidade veneno.
Ela, que odeio amar e de quem odeio as saudades.
Ela, que eu amo.

Feliz aniversário São Paulo!








(As fotos são minhas de minha última viagem à terra da garoa)



quarta-feira, 2 de julho de 2014

A hipocrisia nos lábios e nas mentes

Bitoca!
Não vi o beijo entre as duas moças da novela das nove na Globo. Acabou que eu estava dando bitocas em outra coisinha linda, minha sobrinha-afilhada, recém nascida, que fico pajeando feito tio-padrinho babão.

Vi a foto das duas, Giovanna Antonelli e Tainá Müller dando o selinho que selou (!) o pedido de casamento que marcou o capítulo daquele dia e ouvi o silêncio. Nas redes sociais, nada de crentes excomungando a globo, nem o movimento gay soltando fogos.

Lembro de outro beijo (este eu vi), dado no último capítulo da outra novela. Dois homens, Matheus Solano e o outro que eu não lembro. Lembro do beijo que selou o relacionamento.

E lembro do calor das caldeiras do inferno, que se abria debaixo dos pés dos dois pecadores malditos para os queimar por toda a eternidade por estarem demonstrando seu amor em público. E lembro do calor dos fogos soltados pelo movimento gay pelo mesmo motivo.

Dois pesos. Duas medidas.

Meus amigos gays e minhas amigas gays sabem da diferença que existe em relação a suas demonstrações de amor e afeto. enquanto as pessoas torcem para ver um beijo delas, vira-se a cara para um beijo deles. Como se um caso fosse natural e tolerável e o outro horrendo e deplorável.

Este pensamento se refletiu nas reações das pessoas aos dois beijos. Eu nem cito o beijo do SBT que é mais ou menos como gol em amistoso do XV de Piracicaba contra o Jabaquara. Não tem valor nenhum.

Olhando para o povo, não o vejo "se acostumando", mas mantendo em voga sua habitual hipocrisia. O Brasil é aquele tiozão que não deixa a filha sair de minissaia mas gruda os olhos na TV durante os desfiles de carnaval, gosta de espiar a vizinha pela janela e acha que a mulher tem que aceitar suas escapadinhas para visitar as "filiais".

Uma tolerância de conveniência, afinal, plastica e culturalmente falando, é muito mais bonito ver duas mulheres se beijando do que dois homens.

O engano é achar que o silêncio é anuente à causa gay. Não se enganem! As pessoas não estão mais tolerantes. Só estão mantendo o status quo, persistindo no mesmo velho pensamento de sempre, alimentando suas fantasias sexuais ultraconservadoras que diferem o "menàge bom" do "menàge ruim" enquanto parecem concordar com a liberdade de cada um de amar aquilo que acha certo.

Aos amigos gays, os incentivo para que continuem demonstrando publicamente (aqueles que querem, lógico) seu amor e seu afeto, sem vergonha e sem medo de nós, héteros. Às amigas, encorajo-as a fazer o mesmo. Não apenas para romper as ligas que nos prendem a nós, heteros, a nossa forma de pensar o amor, mas, também, e principalmente, para poderem amar de forma livre e nos motivar a fazer o mesmo.

Mais amor! Menos julgamento e hipocrisia! Para que os beijos, um dia, sejam mais do que símbolos de libertação, que consigam ser demonstração de carinho, afeto, desejo e até de amor.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Amor realista

As pessoas pensam que podem evitar o amor, fingir que ele não existe, passar ao largo e, ainda assim, ter uma vida cheia de significado e alegria. Doce ilusão.

Sem amor qualquer outra coisa que se faça fica sem sentido. O amor não te influencia apenas na área de relacionamento. O amor invade cada pedaço da sua vida e se impregna em cada cantinho do seu ser.

Cada decisão que você toma é definida, também, pelo amor que transborda (ou não) de você. Ficar indiferente a isso é perder uma das partes mais importantes de seu poder de decisão.

Ouço gente que diz "Se eu não amar, não me machuco". Com certeza. Sem amar, não nos machucamos. Mas também não nos maravilhamos, não nos surpreendemos, não nos extasiamos.


Uma vida sem amor é como que anestesiada. Passa-se pela vida sem permitir que ela passe por dentro de você.


Podemos viver sem amar, sim. E sem nos machucarmos, também, afinal. Mas apenas os que não entendem que o ser humano é imperfeito, apenas os idealistas, que pensam que existe a "pessoa perfeita" é que acabam se machucando de verdade.


Quando você acha que existe a "pessoa perfeita" você espera que ela nunca venha a te ferir. Se é alguém sem defeitos, então me amará de um amor sem falhas, que gerará toda a alegria possível.


Triste infortúnio... No final, apenas os realistas conseguem amar.


Apenas aqueles que sabem que podem se ferir, que amam o imperfeito, o incompleto. Apenas aqueles que concebem o inconcebível de amar o que o ferirá, sabendo que isso pode acontecer, conseguem amar de verdade.


E quando se ferem, quando caem, apenas levantam, batem a poeira das roupas e seguem sem a ilusão do amor perfeito e eterno que aqueles que não amam pensam que existe.


Afinal, só se fere com o imperfeito aquele que espera pelo perfeito. Não há decepção quando você se propõe a amar o que sabe que vai te ferir. Então, se prepare para viver uma vida de verdade, com amor de verdade, e não o "amor perfeito". Deixe este para os que não querem amar.

sexta-feira, 27 de maio de 2011



Fechados os sinais de amizades verdadeiras em um mundo onde as pessoas se distanciam cada vez mais. Estamos longe do próximo, ironia maior de um mundo que pede por calor humano. Aqueles com quem pensamos ter alguma intimidade, na verdade, carecem, também, de intimidade, como nós, mas, na verdade, preferem buscar a independência.

E porque isso acontece?

Isso acontece porque os seres humanos se machucam uns aos outros, em suas relações baseadas em humanidade, que quer dizer mentiras, mágoa e tristeza. Porém, humanidade também quer dizer compromisso, generosidade e amor, apesar de conseguirmos enxergar cada vez menos estas características nos seres humanos à nossa volta.

Vivemos em um mundo com pressa. É a alma dos nossos negócios. Andamos sempre a cem, esquecendo que o ritmo do outro precisa ser preservado, respeitado. As relações são fragilizadas pela velocidade com que se dão. Ergue-se castelos sobre alicerces de barracos e ainda nos perguntamos porque eles não se sustentam. A profundidade só se conquista com tempo e esforço. A intimidade é fruto de investimento.

Aos poucos vou aprendendo isso, mesmo depois de tanto tempo, graças a Deus, não paro de errar e aprender.

Até queremos dar amor, porém, o impomos de forma tão ostensiva que, de amor, só sobra o nome. No mais ele é repressão determinista, como se fôssemos obrigados a ele o tempo todo. Estamos vinculados a relacionamentos marcados por superficialidades e quando falamos de amor, o termo amedronta e seduz, pois desaprendemos seu verdadeiro, íntegro e profundo significado.

Mas ainda podemos nos salvar da amargura de estarmos sempre à flor d'água no que tange a relacionamentos.

Ainda podemos responder à ligação, falar com o outro, marcar o encontro, trocar os livros, tomar um sorvete, ou cerveja, dependendo do gosto, ver o pôr do sol.

Juntos.

Afinal, não fomos criados para vivermos sozinhos.

Então, esqueça o sinal por um minuto. Dane-se que ele vai abrir. Olhe para o lado e veja aquele que está ali, carecendo de um pouco de amizade, carinho e atenção. Estenda a mão, dê um abraço. A revolução continua, dia após dia, companheiros, e é o amor que pode transformar este mundo seco, triste e vazio em que vivemos.

Mas o amor de verdade, e não a superficialidade que acham que é amor. Me dê um abraço quando sentir que o quer fazer de verdade, não quando se sentir pressionado a fazer.

É a sua força de vontade que faz o amor brotar. permita-se abrir-se para o outro. Permita-se amar!

terça-feira, 24 de maio de 2011

Os Dominicanos estão certos

"Quando falam do casamento, os frades dominicanos colocam-no como a expressão máxima do amor humano, pois é a união afetiva, física e espiritual de dois seres em busca de sua realização mútua e que reflete a sua fecundidade na constituição da família, nos filhos. No entanto, o amor não é uma realidade estática; é dinâmica, que se conquista a cada dia, em meio aos dramas normais da vida. Por isso, o casamento seria uma escola de amor, onde diariamente se aprende um pouco mais. E quando esse dinamismo para, o amor corre o risco de morrer, já que não há maneira de o amor subsistir sem movimento.

Parágrafo de "Revolução na Igreja", matéria de Narciso Kalili, na revista Realidade n° 7, Outubro de 1966

Escrito há mais de quarenta anos e ainda é um pensamento atualíssimo.

O amor é um movimento. Eu sempre disse isso.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Eu ainda tenho uma alma

Vou contar duas histórias.

Uma, eu pude escrever no jornal, a outra não.

A primeira, sobre um menino de seis anos que desapareceu na sexta-feira retrasada na cidade de Dona Inês, no interior do estado. Seu corpo foi encontrado na última quinta-feira.

A outra, um homem adulto que, em uma roda de amigos no bar, brinca de roleta russa com um revólver carregado e acaba morto.

As duas histórias têm finais trágicos, e começam de forma tôla. São duas mortes desnecessárias, duas situações tão absurdas que poderiam ter sido evitadas.

Ou não.

O menino desaparece na sexta-feira. Todas as provas e evidências CIRCUNSTANCIAIS apontam para um suspeito. A mídia cai em cima dele, contando que ele já havia sido acusado por outro assassinato. Ele teria matado, esquartejado e enterrado as partes de um homem em diversos lugares diferentes. A mídia o crucificou, dizendo, até, que a criança havia sido estuprada.

Localizado o corpo (inteiro, e não esquartejado), provou-se que ele não abusou sexualmente da criança.

No entanto, seu pai quase foi morto no centro da cidade, como se ele tivesse cometido o crime, como se fosse ele o culpado.

Toda a história me deu um travo na garganta. fiquei incomodado com a situação que se estabeleceu. Se o homem for culpado, ele deve pagar, de acordo com a justiça estabelecida pela lei, e não pela justiça dos homens.

O povo de Dona Inês não é dono da verdade. Se um dia for provado que aquele homem não matou a criança, então, como estará o coração do povo da cidade? Quais serão os sentimentos presentes ali?

Construí esta história dezenas de vezes na cabeça na semana passada. Na quinta-feira,  quando a criança foi encontrada, enterrada ao lado de uma escola, não me furtei de chorar um pouquinho. Afinal de contas, eu ainda tenho uma alma, um pouco de humanidade na qual me apegar.

Pensar naquela criança morta me embrulha o estômago. Mas pensar em um inocente sendo linchado pela opinião pública me deixa ainda mais desapontado com a humanidade.

A outra história é a de um homem que achava que não tinha mais nada pelo que viver

clic

Então, sentado em uma mesa de bar ao lado dos amigos, ele resolve externar o vazio que está sentindo

clic

Puxa um revólver calibre 38 do bolso, esvazia o tambor e segura uma bala nas mãos. a coloca no tambor, gira e recolhe a arma

clic

os amigos começam a ficar em pânico, mas não sabem o que fazer, afinal, ele tem uma arma na mão, e está desesperado.

clic

E o desespero é o melhor amigo do erro

BLAM!

um tiro vara o ouvido direito e a bala sai pelo lado da cabeça, abrindo um pequeno buraco e indo se alojar em uma viga de madeira no bar. o corpo cai sobre a mesa, gritos desesperados. Um silêncio sobre o corpo. Ainda há uma vaga.

clic.

Duas mortes desnecessárias que provaram para mim aquilo que eu queria... Eu ainda tenho alma.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Linchamento

Ontem lincharam um homem aqui na frente de casa.

Ganhou repercussão nacional. Apareceu no Jornal Hoje e o escambau. Coisa grande mesmo, prá mostrar que, apesar de toda a tecnologia, o homem ainda é um troglodita preso dentro do corpo de um cavalheiro.

Eu não participei do ato. Fiquei sabendo tarde demais para sequer tentar intervir. Não me senti exatamente justo no momento que fiquei sabendo do caso.

O ocorrido é que o menino é suspeito de um assalto que havia acabado de ocorrer em frente à livraria aqui de frente para a minha casa. Além do assalto, um tapa na cara da moça que foi vítima. Pois dez ou doze homens foram correr atrás do menino, que apanhou como gente grande. Coisa de louco mesmo, bem muito o moído, como dizem aqui em João Pessoa.

A polícia chegou meia hora depois do linchamento ser informado. Omissão? Quem sou eu para julgar...

E é neste ponto que quero chegar. Quem somos nós para julgar?

Aqueles homens agiram como justiceiros quando bateram no menino. Aquele menino agiu errado, sem dúvida. Roubou e tem que cumprir a pena apropriada para o roubo. Agiu com violência, humilhando a mulher, e tem que pagar por isso.

Mas agir de forma violenta com ele é mostrar que o jeito dele está certo. Que é assim mesmo que a vida acontece. Que é na base do olho por olho que se resolve as coisas. Que a mesma violencia que ele impetra contra a sociedade, a sociedade impetrará contra ele de volta.

Não somos selvagens. Nem mais os "Bons selvagens" de Rousseau. Não. Somos homens civilizados. Somos a grande criação de Deus, somos a estrela brilhante da criação.

E é isso que fazemos? Linchamos? Batemos, Agimos com violência?

Nossa sociedade se sente acoitada pelos bandidos. Age com violência por que acha que é o único caminho. Infelizmente, a sociedade civil é a ponta mais fraca do cabo de guerra que luta contra a violência.

Um menino que trabalha na livraria provavelmente perderá o emprego. Apareceu em rede nacional dando um senhor chute na cara do bandido. Difícil distinguir quem é o bandido em um caso desses.

Meu tom lacônico neste texto não é a toa. Estou realmente desanimado com o ser humano. Esperava mais que a reação animalesca, ainda mais vindo de um povo tão alegre e receptivo quanto o pessoense.

Não posso dizer que estas pessoas sejam pessoenses. Não. São vítimas de uma lobotomização pela qual tem passado a sociedade civil,  presa por grades, câmeras, cercas elétricas e seguranças fardados (como o que também foi filmado batendo no rapaz ontem).

Não merecemos ser assim, presos. Mas, também, não merecemos, sem dúvida, ser perpetradores de um ato vil como o que virou notícia nacional no Jornal Hoje.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Todas as cartas de amor são ridículas



Fernando, uma pessoa doce, escreveu, que as cartas de amor são ridículas. Pois quero morrer ridículo, rido pelo mundo, pelas cartas de amor ridículas que já escrevi.

Amar é ridículo. É fugir ao conceito do mundo, ao conceito de tudo. Amar é esdrúxulo, é ir contra as forças naturais. Amar é querer mais para o outro, amar é querer se doar.

E não é isso tudo ridículo? Esdrúxulo, fora da realidade? Riam de minha cara os que me acham ridículo por amar demais a vida e o sol e os passarinhos brancos que tomam as ruas de João Pessoa com seus trinados suaves sob o calor abafante e lindo do verão pessoense.

Sim, são ridículas as formas de amar. Ridículas as demonstrações. Bravatas puras, espúrias, pobres e bestas. Amar mesmo é um ato infantil.

Então, façam de mim criança agora! Vistam-me fraldas os que me acham ridículo! Eu mesmo abotoo o alfinete deste fraque de criança que se suja e se ri. Eu mesmo, o que ama, o que ufana, o que extrapola a realidade, amando, temendo, crescendo e gritando que quero ser ridículo!

Não me importa que sejam ridículas as cartas de amor. Eu as quero escrever!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Fogos de Artifício



Hoje é uma noite em que estou especialmente pensando em alguém especial. Alguém que, creio, não sabe o valor que tem. Alguém que tem fogos de artifício dentro de si, mas tem um pouco de medo de deixa-los aflorar.

Quando falo que amor é movimento, amor é revolução, falo das coisas que vejo neste video. Mesmo naquelas que não concordo (e nãoe stou aqui para julgar ninguém) há iniciativa como motor transformador da vida.

Muitas vezes nos sentimos como sacos plásticos, descartáveis, desimportantes porque alguém nos fez acreditar que somos assim.

Mas é mentira.

Eu sempre falei em minhas pregações (sim, eu já fui um pregador) que Deus guardou uma fagulha de Si mesmo em cada um de nós.

Basta deixar que este fogo de artifício exploda e se expanda!

Vamos lá! Me mostre estes fogos de artifício que você tem guardado dentro de você!

C'mon, baby! Light my fire!!!!


Firework

Você já se sentiu como um saco plástico

Flutuando pelo vento
Querendo começar de novo?

Você já se sentiu frágil
Como um castelo de cartas
A um sopro de desmoronar?

Você já se sentiu enterrado
Gritando sob sete palmos
Mas ninguém parece ouvir nada?

Você sabe que ainda há uma chance para você?
Porque há uma faísca em você

Você só tem que acendê-la
E deixá-la brilhar
Apenas domine a noite
Como o dia da independência

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer "oh, oh, oh"
Enquanto você é atirado pelo céu

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer "oh oh oh"
Você vai deixá-los todos surpresos

Você não tem que se sentir como um desperdício de espaço
Você é original, não pode ser substituído
Se você soubesse o que o futuro guarda
Depois de um furacão vem um arco-íris

Talvez a razão pela qual todas as portas estejam fechadas
É que você possa abrir uma que te leve para a estrada perfeita
Como um relâmpago, seu coração vai brilhar
E quando chegar a hora, você saberá

Você só tem que acender a luz
E deixá-la brilhar
Apenas domine a noite
Como o dia da independência

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer "oh, oh, oh"
Enquanto você é atirado pelo céu

Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer "oh oh oh"
Você vai deixá-los todos surpresos

Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua
Sempre esteve dentro de você, você, você
E agora é hora de deixá-lo sair

Porque baby, você é um fogo de artifício
Vá em frente, mostre o que você vale
Faça-os fazer "oh, oh, oh"
Enquanto você é atirado pelo céu
Baby, você é um fogo de artifício
Vamos, deixe suas cores explodirem
Faça-os fazer "oh oh oh"
Você vai deixá-los todos surpresos oh!
Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua
Boom, boom, boom
Mais brilhante que a lua, lua, lua

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Todos estão surdos II




Não importam os motivos da guerra, a paz ainda é mais importante. (Roberto Carlos)

Isolada do nome de seu autor esta frase seria vista sem o menos preconceito pela maioria das pessoas. Inteligente, simples e verdadeira, ela pode ser usada como citação em qualquer sermão, palestra motivacional, discurso, etc.

Mas é uma frase de Roberto Carlos. E está em uma música. Uma belíssima música, diga-se de passagem. "Eles estão surdos", ele diz. E nós? Ouvimos?

Somos "eles". Somos os que dão as costas para o outro na rua. Somos nós que negamos a existência da doença da miséria. Somos nós que negamos a dor da violência. Somos nós que negamos às nossas crianças a chance de ter um futuro melhor.

Estamos surdos aos gemidos inexprimíveis que clamam dentro de nós "faça alguma coisa!" "Mude o mundo!" Somos nós que negamos até a própria existência desta voz. Somos nós que fingimos que não é conosco que o Espírito está falando.

É hora de limpar os ouvidos para a dor alheia. Abraçar os que têm frio, alimentar quem tem fome. Não apenas tomado pelo espírito do natal já passado, mas, sim, o espírito de uma vida nova no ano novo. Algo novo espera por nós nesta nova fase da vida. 2011 promete ser o ano em que nossos ouvidos se abriram e nós passamos a ouvir quando Ele fala.

A partir de 2011, creio, não mais seremos os que estão surdos!

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010


Como entender? Para pessoas céticas e racionais é difícil. Mesmo para os emocionais não é brincadeira de criança. Mesmo para os que acreditam é difícil permanecer crendo.

Quando vemos o mais difícil acontecer, então, pior.

A morte de alguém que amamos.

A perda da inocência.

Fatos que fogem ao nosso entendimento.

Então, perguntamos...

"Porque você deixou que isso acontecesse?"

Uma amiga me perguntou isso. Não tenho resposta. Porque aconteceu? Porque as teias da aleatoriedade da vida se tecem assim, aleatoriamente. Porque as coisas fogem do nosso entendimento, porque acaso, destino ou seja lá o nome que se dá para isso resolve acontecer justamente com a gente.

Para provar nossa fé? Para fortalecer? Para derrubar de vez?

Minha amiga, cética, ficou ainda mais distante "desse cara", como ela chama Deus. Não posso condena-la por esta decisão simplesmente porque eu sou tomado pelas mesmas perguntas que ela. Os mesmos questionamentos. As mesmas dúvidas.

Como eu sempre disse, minha fé, diferente da maioria das pessoas, se move no terreno das dúvidas e não das certezas. Quanto mais duvido, mais questiono. Quanto mais questiono, mais racionalizo aquilo em que acredito. Diferente da maior parte das pessoas, não estou buscando respostas, mas sempre as perguntas certas para fazer.

Afinal, quando clamamos para o céu cinzento, quem garante que existe um par de ouvidos atentos do outro lado, esperando por nossa voz? Havendo certeza, acaba a necessidade da fé. Havendo respostas, acaba a necessidade por perguntas.

Como diria Nietsche, "Eu só acreditaria em um Deus que soubesse dançar", e o meu dança uma dança difícil, sem passos marcados, movido pelo improviso e pelos caminhos e descaminhos que nossas vidas dão.

Só me faz lembrar de uma passagem que está em Eclesiastes e que lembro de Brennan Manning citando. "Chove sobre justos e injustos".

Perda



Perdi recentemente uma amiga querida para o câncer. Deus a levou consigo e ela está lá, guardada ao lado do Pai, onde não tem mais dor nem sofrimento.

Nem todas as pessoas acreditam nisso, mas eu prefiro crer que ela está com Deus. Uma pessoa com um coração sem tamanho, dedicado a ser Jesus na terra não pode ter outro destino. Generosa, sorridente, alegre e bela, a menininha que Deus levou vai fazer festa no céu.

Temos as mais diversas reações diante da doença e da morte de pessoas queridas. Desde o desespero à apatia, cada um de nós vê a perda de uma forma. Uma forma que vai definir quem nós somos.
Pois é na perda, quando somos desnudados da tranquilidade de nossas zonas de conforto, que nossos caráteres são forjados. É na dor que descobrimos quem somos.

Minhas emoções são contidas quando se trata de dor e perda. Perdi poucas pessoas nessa vida, devo admitir. Meu avô se foi quando eu era criança, minha avó, quando se foi, devemos admitir friamente, foi como um fardo que se retira das costas. Ficaram poucas saudades para mim.

Some a isso o fato de eu ser desapegado de valores familiares, não ter um chão que eu chame de meu, um lugar para chamar de lar. Meu lar é onde estão meus sapatos, e minha dificuldade de lidar com a perda colabora com essa visão quase ausente diante da perda.

Não sou forte, como muitos creem, sou frio, o que não é muito bom, devo admitir, para um cristão.

Perder alguém pode nos mostrar muitas coisas e perder esta pessoa me mostrou algumas. Mostrou que eu preciso dar valor às pessoas que amo, que preciso abraçar mais, dizer mais que amo e estar mais presente na vida dos que me cercam.

Me mostrou que minha família é algo que eu não terei de novo se perder. Quando meus pais morrerem quero poder chorar, sentir falta, sentir saudades. Mais do que qualquer coisa. Nós precisamos dos laços que nos cercam. Nenhum homem é uma ilha, já dizia John Donne, citado aqui mesmo no Blog. Quero que os sinos dentro de mim dobrem muito quando estas pessoas se forem, pois as amo e o buraco que vai ficar será muito grande.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Para quem acredita no amor...



Compartilhei esta música hoje com duas pessoas importantes. Uma, a pessoa que me apresentou a música. A segunda, uma romântica, como eu, impossibilitada de viver o grande amor de sua vida.

Não temos apenas uma chance de amar. Quem diz isso não sabe o valor que amar tem. Não estou falando do valor do amor (substantivo), mas de amar (verbo), do ato de amar em si.

Temos o direito de amar mesmo após as maiores desilusões. O amor que habita em nós é resiliente e por mais que o tentemos sufocar não conseguimos. Na verdade, nem queremos que ele seja sufocado. Estamos apenas esperando a próxima oportunidade de nos abrirmos para mais um amor, sem nos importarmos com os ferimentos que sofreremos, sem nos importarmos com a dor que já foi vivida. O novo amor tem a capacidade de nos curar das velhas dores, sarar as velhas máculas, renovar aquilo que julgávamos perdido.

Outra música que me vem sempre que falo do verbo amar é a de baixo. Paulinho da Viola ensinando-nos que temos que amar sem nos preocuparmos com nada. O tempo há de curar todas as feridas.



E que nunca aconteça com a gente o que aconteceu com o homem da música do Chico Buarque, aquele cara do "Samba do Grande Amor", sabem?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O real significado de amizade




Passei por três situações diferentes que me mostraram o que é a amizade e seu real valor. Mostraram para mim, também, o meu valor para algumas pessoas. Algumas que eu julgava serem meus amigos de verdade se mostraram diferentes do que eu imaginava. Muito do que eu idealizava sobre amizade caiu por terra, e eu pude provar para mim mesmo o quão bom amigo eu posso sere o quanto meus amigos de verdade são realmente bons, enquanto outros, apenas usam a superfície.

A primeira situação foi alguns meses atrás, quando entrei em um dilema feroz comigo mesmo. Uma dúvida que me corroia, me consumia e me trazia remorso. Eu havia cometido um erro e não queria cometer novamente. Este erro feriu a pessoa mais importante da minha vida na época, alguém que não merecia ser ferida, alguém a quem eu não dei o devido valor.

Corri a este amigo a quem sempre pedia conselhos. Achava que ele era o único que me conhecia, que sabia quem eu era por dentro sem me julgar. O que ouvi dele foi que qualquer decisão que eu tomasse, ele estaria do meu lado.

A decisão que tomei ia contra aquilo que este amigo considerava certo. Aos poucos ele foi me afastando, até que me virou as costas. Qualquer tentativa de minha parte de retomar o relacionamento era refutada.

Com ele, todos viraram as costas a mim também. Eu tornei-me um pária.

Aprendi que idealizamos a amizade acima de tudo. Imaginamos que os laços que formamos com as pessoas são mais fortes que as circunstâncias. Me enganei. Descobri que a distância entre um verdadeiro amigo e um aparente amigo é tão tênue que não conseguimos identificar. Me iludi e me decepcionei. Esperava muito mais do “amigo” que tinha, mas vi que nossos laços eram circunstanciais.

Perdi outra amiga recentemente. Sua morte prematura (aos 17 anos, vítima de câncer) me chocou. A morte nos faz ver a brevidade da vida. Já havia perdido alguém próxima no ano passado, mas dessa vez a morte foi mais dolorida. Eu pouco conhecia a Carina, mas ela era próxima de uma das minhas melhores amigas e isso a devastou. Não consegui ir ao enterro, não consegui reagir. Fiquei estático em casa, deprimido. Era o dia do show do Paul MacCartney e enquanto eu tentava entender o que acontecera ele cantava Blackbird. Chamei meu primo no MSN para conversar, falei apenas “preciso conversar”.

Ele simplesmente pegou seu carro, a uma da manhã e veio me buscar em casa. Eu não precisei falar para ele que ela tinha morrido, não precisei pedir ou oferecer nada em troca. Eu apenas queria conversar, tirar a cabeça de dentro de casa, de dentro do problema, dar uma volta, espairecer. Eu não falei que queria dar uma volta. Poderia conversar pelo próprio computador, mas, de longe, ele viu que eu não estava bem.

Um ato e eu sabia com quem eu podia contar a hora que fosse. Ele não estava em trânsito, ele não pediu para eu ir procura-lo no dia seguinte, ele não desconversou ou fugiu, nem começou a falar dos seus problemas. Não. Ele me ouviu, e tem horas que é só disso que a gente precisa.

A última situação que me ensinou sobre amizade foi quando uma amiga de muito longe precisava desabafar. Eu não tinha como ir até ela, não tinha como oferecer mais do que meus olhos para correr por sobre as letras que escrevia no computador. Tudo o que pude oferecer foi meu consolo virtual, mas era o que ela precisava naquele momento

Seu medo de encarar aquele problema era tanto que ela não conseguia falar sobre aquilo. Eu não me importo com o que ela fez ou deixou de fazer e isso é amizade. Estar lá. Não se trata de “bater cartão”. Amigos são mais que isso, fazem mais do que, simplesmente, cumprir burocraticamente seu papel. Amigos são proativos, se preocupam honestamente. Buscam, correm atrás, desejam estar com o outro e ver o outro feliz.

As adversidades revelam os verdadeiros amigos. É quando sua vida está bagunçada que você sabe quem realmente te quer bem e quem está ao seu lado porque é conveniente, tem objetivos escusos ou apenas é fraco.

Quer fazer a diferença? Seja amigo de verdade. Para quantos você ligou hoje para saber como estão? Experimente.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Certas coisas que não queremos, mas precisamos ouvir

E esta é para os pseudo-cristãos tão cheios de amor quanto de hipocrisia.

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.


John Donne (Poeta inglês citado por Ernest Hemmingway em "Por quem os sinos dobram?")

Se você não se sente assim, desculpe, mas você não pode dizer que tem amor dentro de si.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Viva a Revolução!



Amar, se dar, nunca é demais.
O que levaremos desta vida, afinal, são as ações com que tocamos os outros, os que estão a nossa volta.
De que forma você o fez? Preferiu a verdade do que a mentira? Preferiu evitar ferir do que mascarar a dor?
A revolução é baseada nas escolhas difíceis que fazemos na vida. As concessões que fazemos implicam em resultados. Nem sempre os que queremos, mas sempre os que precisamos.
Revolucione a forma das pessoas a sua volta te verem. Dê amor sem esperar receber amor de volta.
Amor não é um sentimento que se troca, mas um sentimento que se dá.

Faça parte da revolução! Sigam-me os que amam!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dear Prudence



Querida Prudence, Saia do seu quartinho fechado e venha ver o quanto o mundo é lindo, o céu é azul e a felicidade até que existe.

Abre logo mão desta visão de mundo triste e solitária. Abra mão do egoísmo, do legalismo, da religião. Olha em volta, Prudence. Um mundo de oportunidades clama por seus sorrisos. Sorria mais!

Deus te deixou um céu azul e um mar verde para você curtir enquanto está sorrindo.
Tem um sol neste céu azul, e isto é lindo, assim como você. (E você nem imagina o quanto te acho linda, Prudence)

Deixe de lado esta cara carrancuda e esta atitude fechada para os outros. Deixe que o amor te alimente e mesmo que o amor te machuque, pois este sangue que corre em nossas lágrimas mais tristes e este sangue pulsando em nossos corações sorridentes é que mostram que estamos vivos.

Querida Prudence, quer vir aqui fora brincar?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sapato velho



Não sei o que escrever sobre esta música. Talvez não admita que sou um sapato velho. Não tenho facilidade de admitir meus erros, nem de confessar que já fui melhor.

Mas será que fui?

Será que não sou melhor agora que resolvi assumir quem sou de verdade? Que resolvi entender a mim mesmo enquanto ser humano, homem e apaixonado pela vida?

Um sapato velho? Sapatos velhos são mais confortáveis, mais macios, mais fáceis de lidar. Sapatos novos causam bolhas e calos, fazem mal a joanete e aos calcanhares. Sapatos novos são apertados e nos causam desconforto.

Parece com ideias novas, não parece? Ideias que nos causam desconforto, nos descompensam, nos dão mal estar.

Quem está pronto para deixar de ser sapato velho, não é? Estamos conformados a nossas vidas. Amamos de forma lassa, solta, frouxa, sem controlar intensidade e verdade. Sentimos tudo na superfície e achamos que estamos no profundo de nossas almas. Pensamos que tudo é importante, mesmo o que não é.

Sapatos novos nos mostram que existem calos para lixar e bolhas para estourar. Não é extravagância, mas constância e continuidade que faz com que os sapatos se adaptem a nós. Se usarmos os sapatos novos apenas em ocasiões especiais, demorará mais para que nopssos pés se adaptem a eles.

Quero me adaptar aos novos sapatos que estou usando. Meus pés não podem doer mais. Não os quero doendo nunca mais.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Avivamento?



Hoje o Rio de Janeiro está passando por momentos de extrema tensão graças a investida da polícia sobre os morros. Uma verdadeira situação de guerra, envolvendo BOPE, Exército, Marinha, tanques de guerra, imprensa, etc e tal.

Hoje, pastores e pastoras de todo o Brasil, direto da segurança de suas casas, ligaram seus Twitters no 220V mandando orações para o povo carioca.

Alguns pastores do Rio de Janeiro não estavam na cidade misteriosamente, mesmo não tendo agenda fora.

Mas as ovelhas estavam lá, no meio do fogo cruzado.

Até quando nossa hipocrisia nos impedirá de ver que o tal avivamento não é uma "energia que vem do céu", mas uma série de atitudes que deveriam ser a espinha dorsal de uma igreja.

As pessoas pensam que precisam que o poder venha para elas começarem a agir, quando, na verdade, elas precisam agir para que o poder venha.

É o velho paradoxo de tostines, mas envolve, no caso de hoje, uma cidade sitiada por bandidos.

A igreja não está dentro dos muros seguros dos prédios denominacionais. Quando falamos "nossa igreja" estamos nos incluindo em um grupo que pode falar isso, portanto, excluindo todos os que não compactuam da mesma visão.

Sim. A "nossa igreja" não é um termo inclusivo, mas excludente, por fazer com que você participe de algo de que o outro não faz parte.

E se você não a tornar atraente, o outro vai continuar não querendo fazer parte.

Se a igreja quer mesmo ser pertinente no Brasil, é hora de parar de discursar em 140 toques e começar a se mover, ou em 140 anos ainda teremos o mesmo problema que vemos hoje.

Se a igreja continuar a não cumprir seu papel social alguém vai faze-lo e dar a esperança que o povo precisa.

Jesus estará lá de qualquer jeito, esteja a igreja ou não. Pois ele não ama apenas a "nós", mas a todos, independente se creem nele ou não. Ele vai protege-los.

Não sejamos mais hipócritas. Eu não quero saber de suas orações pelo Rio de Janeiro. Não existem "Boas energias", mas sim "boas ações" que podem transformar a cidade maravilhosa.

Não depende de Deus derramar, mas de você agir. Isso é avivamento. Isso é transformação.

Transformação que a maior parte dos pastores não quer. Sair da zona de conforto? Para que?

Orem, sim. Mas façam alguma coisa, pelo amor de Deus!