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A luta para nascer é retratada de forma inovadora |
Sandra Bullock é como um feto lutando contra intempéries para nascer. Uma borboleta que, saindo do estado de lesma, encontra, no espaço, o casulo para tornar à vida.
Ficam para trás todas as amarguras. Só o que vale é sair do ventre, tornar à Terra e encontrar, nela, novas razões para viver.
A cena logo após ela entrar na estação espacial defende esta interpretação. Após livrar-se das roupas para caminhadas espaciais, em posição fetal, cercada de cabos de suporte de vida, cordões umbilicais que a mantém viva no espaço, ela descansa. Mas o parto é traumático, doloroso, difícil e sofrido, e a personagem precisa deixar o conforto em que está para lutar pela vida.
Os planos-sequência merecem a reverência que receberam de todos os críticos no mundo. Basta ver o trailer para entender a tensão existente no filme, e o desafio que deve ter sido filmar esta proposta. O 3D funciona de forma perfeita, lançando pedaços de satélites, naves, braços de captação, sondas, metal e tudo o mais contra o fundo escuro do espaço que absorve.
Alfonso Cuarón encontra, na estética silenciosa do espaço, o ruído necessário para nos fazer acreditar que é possível renascer dos piores problemas que enfrentamos. Basta não desistirmos, basta seguirmos em frente, basta acreditarmos que podemos arrebentar o casulo e voar alto novamente.
Ou, no caso, caminhar sobre a areia de uma praia perdida em algum lugar de um mundo que é nosso para redescobrirmos. Estar vertical após tanto tempo deitada, deixar as águas e migrar para a terra, crescer, evoluir, renascer.
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