segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Todos estão surdos II




Não importam os motivos da guerra, a paz ainda é mais importante. (Roberto Carlos)

Isolada do nome de seu autor esta frase seria vista sem o menos preconceito pela maioria das pessoas. Inteligente, simples e verdadeira, ela pode ser usada como citação em qualquer sermão, palestra motivacional, discurso, etc.

Mas é uma frase de Roberto Carlos. E está em uma música. Uma belíssima música, diga-se de passagem. "Eles estão surdos", ele diz. E nós? Ouvimos?

Somos "eles". Somos os que dão as costas para o outro na rua. Somos nós que negamos a existência da doença da miséria. Somos nós que negamos a dor da violência. Somos nós que negamos às nossas crianças a chance de ter um futuro melhor.

Estamos surdos aos gemidos inexprimíveis que clamam dentro de nós "faça alguma coisa!" "Mude o mundo!" Somos nós que negamos até a própria existência desta voz. Somos nós que fingimos que não é conosco que o Espírito está falando.

É hora de limpar os ouvidos para a dor alheia. Abraçar os que têm frio, alimentar quem tem fome. Não apenas tomado pelo espírito do natal já passado, mas, sim, o espírito de uma vida nova no ano novo. Algo novo espera por nós nesta nova fase da vida. 2011 promete ser o ano em que nossos ouvidos se abriram e nós passamos a ouvir quando Ele fala.

A partir de 2011, creio, não mais seremos os que estão surdos!

sábado, 25 de dezembro de 2010

Todos estão surdos!!!




Mas meu amigo volte logo!

Não preciso falar mais nada, né não?

Acho que fui influenciado pelo show do rei. Sim, eu chamo o Roberto Carlos de rei, porque? Algum problema?

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Sonho de consumo

O sonho de consumo de muitas pessoas e algo material. Não condigo enxergar como objetos e brinquedos e coisinhas e gadgets (este e o nome novo de coisinhas de rico que fazem a vida ser mais complicada do que simples).
Isso não vai melhorar sua vida. O que melhora sua vida e conexão.
O que te liga as pessoas? Hoje, agora, estou cercado de minha família. Parentes, primos, tios, pai, mãe, irmão. Olho para eles e penso no quanto sou afortunado. No quanto de conexões deixarei aqui quando me for. Ainda que meu pessimismo me deixe muito triste e pragmático diante da vida, vejo o quanto ela vale a pena quando estou cercado destas pessoas. Pessoas importantes, pessoas que amo.
Ame. Você não terá outra chance de amar. E e amando que você fará a diferença neste mundo absurdo em que vivemos.
Ame.

Feliz Natal!



Mas, como aqui eu gosto de colocar vocês para pensar...

So this is christmas

And what have you done
Another year over
And new one just begun

And so this is christmas
I hope you have fun
The near and the dear one
The older and the young

A very merry christmas
And a happy new year
Let's hope it's a good one
Without any fear

And so this is christmas (war is over...)
For weak and for strong (...if you want it)
The rich and the poor one
The world is so wrong

And so happy christmas
For black and for white
For the yellow and red one
Let's stop all the fight

A very merry christmas
And a happy new year
Lets hope it's a good one
Without any fear

And so this is christmas
And what have we done
Another year over
And new one just begun...

And so happy christmas
We hope you have fun
The near and the dear one
The older and the young

A very merry christmas
And a happy new year
Let's hope it's a good one
Without any fear

War is over
If you want it
War is over
Now

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Um dia, quem sabe...



Um dia, quem sabe, aqui no Brasil, a gente aprenda a adorar. Não cantar bonito, mas cantar de dentro, cantar prá dentro de si e alcançar aquilo que está lá dentro. Aquilo a que chamamos Espírito Santo.

Um dia, quem sabe, aqui no Brasil, a gente aprenda a se dar. Não se dar para as câmeras verem nas ruas, mas se dar para o seu próximo. Não encher uma avenida com um monte de gente cantando para Jesus, mas encher a vida de alguém de Jesus. Encher o coração de alguém da forma e do amor do Deus infinito que nós servimos (ou dizemos servir).

Um dia, quem sabe, aqui no Brasil, a gente aprenda a buscar conhecimento. Não apenas no que a bíblia diz literalmente, mas o que ela tem a dizer para nós, para nosso mundo, para o século XXI. Pois a palavra que é viva vive sendo sufocada por aqueles que a preferem morta, imutável, aqueles que pensam que o mundo não deveria mudar. Não somos a igreja primitiva, somos a igreja, viva, pulsante, cheia de vontade de crescer e mudar o mundo.

Um dia, quem sabe... um dia... a igreja brasileira ame como deve amar.

Espero, ansioso, por este dia.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010


Como entender? Para pessoas céticas e racionais é difícil. Mesmo para os emocionais não é brincadeira de criança. Mesmo para os que acreditam é difícil permanecer crendo.

Quando vemos o mais difícil acontecer, então, pior.

A morte de alguém que amamos.

A perda da inocência.

Fatos que fogem ao nosso entendimento.

Então, perguntamos...

"Porque você deixou que isso acontecesse?"

Uma amiga me perguntou isso. Não tenho resposta. Porque aconteceu? Porque as teias da aleatoriedade da vida se tecem assim, aleatoriamente. Porque as coisas fogem do nosso entendimento, porque acaso, destino ou seja lá o nome que se dá para isso resolve acontecer justamente com a gente.

Para provar nossa fé? Para fortalecer? Para derrubar de vez?

Minha amiga, cética, ficou ainda mais distante "desse cara", como ela chama Deus. Não posso condena-la por esta decisão simplesmente porque eu sou tomado pelas mesmas perguntas que ela. Os mesmos questionamentos. As mesmas dúvidas.

Como eu sempre disse, minha fé, diferente da maioria das pessoas, se move no terreno das dúvidas e não das certezas. Quanto mais duvido, mais questiono. Quanto mais questiono, mais racionalizo aquilo em que acredito. Diferente da maior parte das pessoas, não estou buscando respostas, mas sempre as perguntas certas para fazer.

Afinal, quando clamamos para o céu cinzento, quem garante que existe um par de ouvidos atentos do outro lado, esperando por nossa voz? Havendo certeza, acaba a necessidade da fé. Havendo respostas, acaba a necessidade por perguntas.

Como diria Nietsche, "Eu só acreditaria em um Deus que soubesse dançar", e o meu dança uma dança difícil, sem passos marcados, movido pelo improviso e pelos caminhos e descaminhos que nossas vidas dão.

Só me faz lembrar de uma passagem que está em Eclesiastes e que lembro de Brennan Manning citando. "Chove sobre justos e injustos".

Perda



Perdi recentemente uma amiga querida para o câncer. Deus a levou consigo e ela está lá, guardada ao lado do Pai, onde não tem mais dor nem sofrimento.

Nem todas as pessoas acreditam nisso, mas eu prefiro crer que ela está com Deus. Uma pessoa com um coração sem tamanho, dedicado a ser Jesus na terra não pode ter outro destino. Generosa, sorridente, alegre e bela, a menininha que Deus levou vai fazer festa no céu.

Temos as mais diversas reações diante da doença e da morte de pessoas queridas. Desde o desespero à apatia, cada um de nós vê a perda de uma forma. Uma forma que vai definir quem nós somos.
Pois é na perda, quando somos desnudados da tranquilidade de nossas zonas de conforto, que nossos caráteres são forjados. É na dor que descobrimos quem somos.

Minhas emoções são contidas quando se trata de dor e perda. Perdi poucas pessoas nessa vida, devo admitir. Meu avô se foi quando eu era criança, minha avó, quando se foi, devemos admitir friamente, foi como um fardo que se retira das costas. Ficaram poucas saudades para mim.

Some a isso o fato de eu ser desapegado de valores familiares, não ter um chão que eu chame de meu, um lugar para chamar de lar. Meu lar é onde estão meus sapatos, e minha dificuldade de lidar com a perda colabora com essa visão quase ausente diante da perda.

Não sou forte, como muitos creem, sou frio, o que não é muito bom, devo admitir, para um cristão.

Perder alguém pode nos mostrar muitas coisas e perder esta pessoa me mostrou algumas. Mostrou que eu preciso dar valor às pessoas que amo, que preciso abraçar mais, dizer mais que amo e estar mais presente na vida dos que me cercam.

Me mostrou que minha família é algo que eu não terei de novo se perder. Quando meus pais morrerem quero poder chorar, sentir falta, sentir saudades. Mais do que qualquer coisa. Nós precisamos dos laços que nos cercam. Nenhum homem é uma ilha, já dizia John Donne, citado aqui mesmo no Blog. Quero que os sinos dentro de mim dobrem muito quando estas pessoas se forem, pois as amo e o buraco que vai ficar será muito grande.


quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Para quem acredita no amor...



Compartilhei esta música hoje com duas pessoas importantes. Uma, a pessoa que me apresentou a música. A segunda, uma romântica, como eu, impossibilitada de viver o grande amor de sua vida.

Não temos apenas uma chance de amar. Quem diz isso não sabe o valor que amar tem. Não estou falando do valor do amor (substantivo), mas de amar (verbo), do ato de amar em si.

Temos o direito de amar mesmo após as maiores desilusões. O amor que habita em nós é resiliente e por mais que o tentemos sufocar não conseguimos. Na verdade, nem queremos que ele seja sufocado. Estamos apenas esperando a próxima oportunidade de nos abrirmos para mais um amor, sem nos importarmos com os ferimentos que sofreremos, sem nos importarmos com a dor que já foi vivida. O novo amor tem a capacidade de nos curar das velhas dores, sarar as velhas máculas, renovar aquilo que julgávamos perdido.

Outra música que me vem sempre que falo do verbo amar é a de baixo. Paulinho da Viola ensinando-nos que temos que amar sem nos preocuparmos com nada. O tempo há de curar todas as feridas.



E que nunca aconteça com a gente o que aconteceu com o homem da música do Chico Buarque, aquele cara do "Samba do Grande Amor", sabem?

Colaborações


Desde o início de Novembro este bloggeiro é colaborador do site Fique Ligado falando sobre cinema e literatura (e, logo logo, música também).
Este trabalho divertidíssimo tem tomado bastante tempo da minha vida e isso tem sido muito gratificante. É bom ver você sendo publicado em outros lugares, comentado, elogiado... Senti falta disso por muito tempo.
Agora semanalmente meu nome aparece por lá, em críticas e matérias. Sempre que sair alguma coisa minha no Fique Ligado vou mandar o link para vocês por aqui!

Para este contato eu agradeço sempre à Thalyta, grande jornalista que descobriu meu blog e me convidou para este lindo projeto. Também a minha editora Ingrid, sempre preocupada com os subtítulos que eu esqueço de colocar e controlando meu humor, muitas vezes non sense, nos textos! Meninas, vocês não sabem o quanto são importantes para mim!

O Fique Ligado é um site de entretenimento moderno, eficiente e que sempre tem as melhores notícias. Visite e conheça!





Abaixo, as minhas matérias que saíram por lá.

Cinema

Enterrado Vivo

A Rede Social

Minhas mães e Meu Pai

Muita Calma Nessa Hora

Senna

RED - Aposentados e Perigosos

Animação

Megamente

Literatura

Deus é meu Camarada

Milo Manara em Santos

E logo logo, para a alegria da Thalyta, também teremos música aqui!

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Eu indico!

Abaixo alguns amigos que eu indico para sua leitura e deleite.

Não perca a oportunidade de ser desafiado por estes cinco blogs!

Crítica Construtiva ao Comportamento: A delicadeza que se fez mulher

Prancheta da Cátia: Sensibilidade de uma artista única e sem paralelos

Garafunhos: A nova voz de um cotidiano nada entediante

Cara da Palavra: Um diálogo intenso entre imagem, texto e você

Grávida e bipolar: Uma história incomum, uma personagem incomum

Divirta-se!

O real significado de amizade




Passei por três situações diferentes que me mostraram o que é a amizade e seu real valor. Mostraram para mim, também, o meu valor para algumas pessoas. Algumas que eu julgava serem meus amigos de verdade se mostraram diferentes do que eu imaginava. Muito do que eu idealizava sobre amizade caiu por terra, e eu pude provar para mim mesmo o quão bom amigo eu posso sere o quanto meus amigos de verdade são realmente bons, enquanto outros, apenas usam a superfície.

A primeira situação foi alguns meses atrás, quando entrei em um dilema feroz comigo mesmo. Uma dúvida que me corroia, me consumia e me trazia remorso. Eu havia cometido um erro e não queria cometer novamente. Este erro feriu a pessoa mais importante da minha vida na época, alguém que não merecia ser ferida, alguém a quem eu não dei o devido valor.

Corri a este amigo a quem sempre pedia conselhos. Achava que ele era o único que me conhecia, que sabia quem eu era por dentro sem me julgar. O que ouvi dele foi que qualquer decisão que eu tomasse, ele estaria do meu lado.

A decisão que tomei ia contra aquilo que este amigo considerava certo. Aos poucos ele foi me afastando, até que me virou as costas. Qualquer tentativa de minha parte de retomar o relacionamento era refutada.

Com ele, todos viraram as costas a mim também. Eu tornei-me um pária.

Aprendi que idealizamos a amizade acima de tudo. Imaginamos que os laços que formamos com as pessoas são mais fortes que as circunstâncias. Me enganei. Descobri que a distância entre um verdadeiro amigo e um aparente amigo é tão tênue que não conseguimos identificar. Me iludi e me decepcionei. Esperava muito mais do “amigo” que tinha, mas vi que nossos laços eram circunstanciais.

Perdi outra amiga recentemente. Sua morte prematura (aos 17 anos, vítima de câncer) me chocou. A morte nos faz ver a brevidade da vida. Já havia perdido alguém próxima no ano passado, mas dessa vez a morte foi mais dolorida. Eu pouco conhecia a Carina, mas ela era próxima de uma das minhas melhores amigas e isso a devastou. Não consegui ir ao enterro, não consegui reagir. Fiquei estático em casa, deprimido. Era o dia do show do Paul MacCartney e enquanto eu tentava entender o que acontecera ele cantava Blackbird. Chamei meu primo no MSN para conversar, falei apenas “preciso conversar”.

Ele simplesmente pegou seu carro, a uma da manhã e veio me buscar em casa. Eu não precisei falar para ele que ela tinha morrido, não precisei pedir ou oferecer nada em troca. Eu apenas queria conversar, tirar a cabeça de dentro de casa, de dentro do problema, dar uma volta, espairecer. Eu não falei que queria dar uma volta. Poderia conversar pelo próprio computador, mas, de longe, ele viu que eu não estava bem.

Um ato e eu sabia com quem eu podia contar a hora que fosse. Ele não estava em trânsito, ele não pediu para eu ir procura-lo no dia seguinte, ele não desconversou ou fugiu, nem começou a falar dos seus problemas. Não. Ele me ouviu, e tem horas que é só disso que a gente precisa.

A última situação que me ensinou sobre amizade foi quando uma amiga de muito longe precisava desabafar. Eu não tinha como ir até ela, não tinha como oferecer mais do que meus olhos para correr por sobre as letras que escrevia no computador. Tudo o que pude oferecer foi meu consolo virtual, mas era o que ela precisava naquele momento

Seu medo de encarar aquele problema era tanto que ela não conseguia falar sobre aquilo. Eu não me importo com o que ela fez ou deixou de fazer e isso é amizade. Estar lá. Não se trata de “bater cartão”. Amigos são mais que isso, fazem mais do que, simplesmente, cumprir burocraticamente seu papel. Amigos são proativos, se preocupam honestamente. Buscam, correm atrás, desejam estar com o outro e ver o outro feliz.

As adversidades revelam os verdadeiros amigos. É quando sua vida está bagunçada que você sabe quem realmente te quer bem e quem está ao seu lado porque é conveniente, tem objetivos escusos ou apenas é fraco.

Quer fazer a diferença? Seja amigo de verdade. Para quantos você ligou hoje para saber como estão? Experimente.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Certas coisas que não queremos, mas precisamos ouvir

E esta é para os pseudo-cristãos tão cheios de amor quanto de hipocrisia.

“Nenhum homem é uma ilha isolada; cada homem é uma partícula do continente, uma parte da terra; se um torrão é arrastado para o mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse a casa dos teus amigos ou a tua própria; a morte de qualquer homem diminui-me, porque sou parte do género humano. E por isso não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.


John Donne (Poeta inglês citado por Ernest Hemmingway em "Por quem os sinos dobram?")

Se você não se sente assim, desculpe, mas você não pode dizer que tem amor dentro de si.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Dom Casmurro, ou "A omissão que é mentira

Não. Dom Casmurro não é um livro sobre o ciúme. Não é este o assunto que permeia o livro. Não é sua espinha dorsal. Também não é um livro sobre Capitu. Ela, a personagem feminina mais importante da literatura de língua portuguesa não é o mote principal da obra.

O livro é sobre justificar seus erros depois de se ter remorso por eles.

Sim. é isto que Bentinho tenta com seu livro: convencer a si mesmo de algo em que já não mais acredita. Algo que lhe corrói.

Sim, Dom Casmurro é sobre ele mesmo: o Dom Casmurro.

Atar as duas pontas da vida? Pois sim! bentinho quer tentar justificar pela apresentação de provas circunstanciais (é um advogado! Ele vive da defesa de teses) e pela não apresentação de outras provas.

Dom Casmurro é um livro tão importante pelo que se escreve nele quanto pelo que não se escreve. O que é oculto tem tanta importância quanto o que é revelado. Temos um lado da história, que se construiria de forma diferente diante dos outros pontos de vista.

A amargura de Bentinho se sente por toda a extensão do livro, fazendo da narração uma personagem à parte. Tão importante quanto o narrador são os sentimentos que o inundam por toda a extensão do livro. Bentinho se entrega em meias palavras, no imagina-lo escrevendo, quase vendo as lágrimas que lhe correm das vistas, as raivas que oculta, os momentos em que a pena sobe, preferindo uma palavra à outra, mas voltando à original para tentar iludir a si mesmo com uma proximidade de verdade.

Mas não estamos falando da verdade propriamente dita, e sim da sua verdade íntima e pessoal, a verdade em que Bentinho acredita.

Machado constrói um personagem profundo e complexo com este Casmurro que escreve, contando sua história. As nuances acontecem no texto tão mais fortes do que acontecem no fato narrado, dando peso ao que lhe interessa, tirando do que não lhe apraz (a notícia sobre Capitu, enfurnada entre duas frases pouco importantes, demonstrando falso desinteresse pela vida da antes amada, o não lembrar do discurso para o amigo Escobar, que era um mais lembrar que qualquer coisa), construindo um cenário que mostra Capitu como a grande culpada de traição que ele imaginava. Porém, pergunto-me: seria?

Não vemos o rosto de Ezequiel, possível filho da traição que trazia em si Escobar todo. Contamos apenas com a descrição que Bentinho, tomado pelos ciúmes lhe dá. Vemos os enigmáticos olhos de Capitu pela ótica, ora apaixonada, ora desaforada do Casmurro narrador. Conhecemos dos fatos as partes e nada mais que elas. E, diga-se, as partes que interessam a Bentinho que saibamos.

Eis o que a obra tem de mais rico. Machado faz com que a ótica do narrador seja de tal maneira solapada pelo próprio conteúdo que cai em descrença. Bentinho não se faz acreditar justamente pelo fato de que quer ser crido, inclusive por si mesmo, da mentira que a mente lhe pregou.

Ou será que não?

Trecho
 
"Olhos de Capitu"

"Retórica dos namorados, dá-me uma comparação exata e poética para dizer o que foram aqueles olhos de Capitu. Não me acode imagem capaz de dizer, sem quebra da dignidade do estilo, o que eles foram e me fizeram. Olhos de ressaca? Vá, de ressaca. É o que me dá idéia daquela feição nova. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros, mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saía delas vinha crescendo, cava e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me. Quantos minutos gastamos naquele jogo? Só os relógios do céu terão marcado esse tempo infinito e breve. A eternidade tem as suas pêndulas; nem por não acabar nunca deixa de querer saber a duração das felicidades e dos suplícios."

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Viva a Revolução!



Amar, se dar, nunca é demais.
O que levaremos desta vida, afinal, são as ações com que tocamos os outros, os que estão a nossa volta.
De que forma você o fez? Preferiu a verdade do que a mentira? Preferiu evitar ferir do que mascarar a dor?
A revolução é baseada nas escolhas difíceis que fazemos na vida. As concessões que fazemos implicam em resultados. Nem sempre os que queremos, mas sempre os que precisamos.
Revolucione a forma das pessoas a sua volta te verem. Dê amor sem esperar receber amor de volta.
Amor não é um sentimento que se troca, mas um sentimento que se dá.

Faça parte da revolução! Sigam-me os que amam!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Tabacaria

O que fazer quando temos uma personalidade tão fragmentada? Fernando Pessoa criou heterônimos, que eram pessoas que habitavam dentro dele e que ele colocava para fora por meio da poesia. Acho que foi o que melhor lidou com sua própria bipolaridade...

Escreveu o poema abaixo (Tabacaria) e assinou como Álvaro de Campos, um homem perdido em si, que não era parte alguma de nada. Não pertencia a nenhum lugar e não se sentia feliz em lugar nenhum.

Poucas vezes estive tão Álvaro de Campos na minha vida. Então, para "comemorar", abaixo o poema que mais se parece com quem sou.

E as pessoas não entenderiam porque eu tomo as decisões que eu tomo, ainda que eu explicasse. Mas dói. Ah, se dói. Sempre dói.

Tabacaria



Não sou nada.
Nunca serei nada.

Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.

Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas —
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas —,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma sem
Porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.

(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates coma mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.

(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê —
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,

E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)

Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.

Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.

Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como
Tabuletas
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorriu.

Álvaro de Campos (mas poderia ser João Thiago)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Dear Prudence



Querida Prudence, Saia do seu quartinho fechado e venha ver o quanto o mundo é lindo, o céu é azul e a felicidade até que existe.

Abre logo mão desta visão de mundo triste e solitária. Abra mão do egoísmo, do legalismo, da religião. Olha em volta, Prudence. Um mundo de oportunidades clama por seus sorrisos. Sorria mais!

Deus te deixou um céu azul e um mar verde para você curtir enquanto está sorrindo.
Tem um sol neste céu azul, e isto é lindo, assim como você. (E você nem imagina o quanto te acho linda, Prudence)

Deixe de lado esta cara carrancuda e esta atitude fechada para os outros. Deixe que o amor te alimente e mesmo que o amor te machuque, pois este sangue que corre em nossas lágrimas mais tristes e este sangue pulsando em nossos corações sorridentes é que mostram que estamos vivos.

Querida Prudence, quer vir aqui fora brincar?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sapato velho



Não sei o que escrever sobre esta música. Talvez não admita que sou um sapato velho. Não tenho facilidade de admitir meus erros, nem de confessar que já fui melhor.

Mas será que fui?

Será que não sou melhor agora que resolvi assumir quem sou de verdade? Que resolvi entender a mim mesmo enquanto ser humano, homem e apaixonado pela vida?

Um sapato velho? Sapatos velhos são mais confortáveis, mais macios, mais fáceis de lidar. Sapatos novos causam bolhas e calos, fazem mal a joanete e aos calcanhares. Sapatos novos são apertados e nos causam desconforto.

Parece com ideias novas, não parece? Ideias que nos causam desconforto, nos descompensam, nos dão mal estar.

Quem está pronto para deixar de ser sapato velho, não é? Estamos conformados a nossas vidas. Amamos de forma lassa, solta, frouxa, sem controlar intensidade e verdade. Sentimos tudo na superfície e achamos que estamos no profundo de nossas almas. Pensamos que tudo é importante, mesmo o que não é.

Sapatos novos nos mostram que existem calos para lixar e bolhas para estourar. Não é extravagância, mas constância e continuidade que faz com que os sapatos se adaptem a nós. Se usarmos os sapatos novos apenas em ocasiões especiais, demorará mais para que nopssos pés se adaptem a eles.

Quero me adaptar aos novos sapatos que estou usando. Meus pés não podem doer mais. Não os quero doendo nunca mais.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Muita calma nessa hora



Nem sempre as coisas andam do jeito que a gente gostaria que andassem. Muitas vezes (na maioria, na verdade) temos que entender e aceitar que o universo se move por forças muito maiores do que nós mesmos. Alguns chamam de destino, outros, de forças da natureza, outros, ainda, de acaso. Prefiro chamar de vontade de Deus.

Não estou falando do grande plano de Deus para a humanidade. Não se trata de um grande complô celestial para nos manipular.

É apenas a mão de Deus mantendo as coisas no lugar.

E quando vemos que, apesar de não sairem como queremos, elas acontecem, de uma forma ou de outra, podemos ficar aliviados.

Um velho ditado judeu fala para tomarmos cuidado com nossos desejos, pois eles podem se realizar. Nem sempre o que queremos é o melhor para nós, mas dizer que não podemos lutar pelo que acreditamos seria conformismo. Dizer que não temos como fugir do determinismo é uma balela. Temos poder de escolha, livre arbítrio e contra isso não existe determinismo o bastante para nos segurar.

Porém, muita calma nessa hora.

Nossas escolhas devem ser medidas com cuidado e acurácia. Toda a atenção ainda é pouco para mexer os fios tecidos de nossas vidas. Como em uma cama de gato, qualquer movimento errado pode nos comprometer.

Escolhas definem os nossos caminhos e os caminhos das pessoas que nos cercam. Por conta de uma escolha você pode salvar ou destruir a própria vida e a de muitos. Olhe direito para suas escolhas, elas definem você.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Avivamento?



Hoje o Rio de Janeiro está passando por momentos de extrema tensão graças a investida da polícia sobre os morros. Uma verdadeira situação de guerra, envolvendo BOPE, Exército, Marinha, tanques de guerra, imprensa, etc e tal.

Hoje, pastores e pastoras de todo o Brasil, direto da segurança de suas casas, ligaram seus Twitters no 220V mandando orações para o povo carioca.

Alguns pastores do Rio de Janeiro não estavam na cidade misteriosamente, mesmo não tendo agenda fora.

Mas as ovelhas estavam lá, no meio do fogo cruzado.

Até quando nossa hipocrisia nos impedirá de ver que o tal avivamento não é uma "energia que vem do céu", mas uma série de atitudes que deveriam ser a espinha dorsal de uma igreja.

As pessoas pensam que precisam que o poder venha para elas começarem a agir, quando, na verdade, elas precisam agir para que o poder venha.

É o velho paradoxo de tostines, mas envolve, no caso de hoje, uma cidade sitiada por bandidos.

A igreja não está dentro dos muros seguros dos prédios denominacionais. Quando falamos "nossa igreja" estamos nos incluindo em um grupo que pode falar isso, portanto, excluindo todos os que não compactuam da mesma visão.

Sim. A "nossa igreja" não é um termo inclusivo, mas excludente, por fazer com que você participe de algo de que o outro não faz parte.

E se você não a tornar atraente, o outro vai continuar não querendo fazer parte.

Se a igreja quer mesmo ser pertinente no Brasil, é hora de parar de discursar em 140 toques e começar a se mover, ou em 140 anos ainda teremos o mesmo problema que vemos hoje.

Se a igreja continuar a não cumprir seu papel social alguém vai faze-lo e dar a esperança que o povo precisa.

Jesus estará lá de qualquer jeito, esteja a igreja ou não. Pois ele não ama apenas a "nós", mas a todos, independente se creem nele ou não. Ele vai protege-los.

Não sejamos mais hipócritas. Eu não quero saber de suas orações pelo Rio de Janeiro. Não existem "Boas energias", mas sim "boas ações" que podem transformar a cidade maravilhosa.

Não depende de Deus derramar, mas de você agir. Isso é avivamento. Isso é transformação.

Transformação que a maior parte dos pastores não quer. Sair da zona de conforto? Para que?

Orem, sim. Mas façam alguma coisa, pelo amor de Deus!

domingo, 21 de novembro de 2010

Será que vocês podem me perdoar?


Desculpem por ser honesto, mas faz parte de mim não conseguir esconder o que sinto. Desculpem, também, por não ser claro. Os pensamentos não se desanuviam em minha mente com tanta facilidade quanto na sua. Não sou sempre compreensível. Me expresso muito melhor no papel do que na palavra.
Me desculpem por escrever tantas coisas que parecem heresias, mas que na realidade não passam de fruto de um relacionamento íntimo demais com meu Deus, de forma tal que tento me confundir com Ele o tempo todo (Eles um em mim, como sou um em ti).
Especialmente no que tange às diversas formas de amor, peço desculpas por ser mais tolerante com os que amam errado do que o normal. É compreensível que vocês me censurem por ter um coração grande demais, afinal, em uma visão limitada de mundo, só há espaço para os que são iguais e se vitimam em busca de atenção.
Perdão por gostar dos Beatles, e de Rita Lee também. Desculpem por ler Rousseau, Sartre, Descartes e perdão por amar a verdadeira interpretação das palavras de Nietsche. Deus morreu no coração dos homens, que preferiram erguer novos mitos para idolatrar. O “Super-homem”. Não consigo adorar homens, mas respeita-los. Não consigo apenas respeitar Deus, mas adora-lo em espírito e em verdade.
Mil perdões por eu não me adaptar à sua visão pequena de igreja. Não consigo me imaginar confinado em um cubículo para sentir a presença de um Deus que se manifesta onde quer. Respeito a instituição, mas não acredito que, em si, ela tenha muito valor.
Com todo respeito, preciso discordar de sua aritmética ministerial, que privilegia meia dúzia de bajuladores em detrimento de pessoas que estão interessadas em beber de águas vivas que fluem do trono de Deus, e não de homens. Perdão se não concordo estupidamente com seus argumentos e sua falácia vazia. Não me agrada a voz doce, mas a Palavra da Verdade.
Acima de tudo, perdão por acreditar em um Deus que extrapola a sua e a minha compreensão. Perdão por que eu vejo o impossível nas pequenas coisas e gosto de ouvir, no silêncio e não na gritaria a voz de Deus e encontrar-me com ele na solidão e não na multidão.
Perdão, do fundo do meu coração, por confessar-me pecador. E mais perdão ainda por eu não ter vergonha de admitir minha séria e inexorável condição diante das pessoas, em um altar. Nu vim a este mundo e nu quero deixa-lo. Sem segredos, sem o que me esconda de Deus, sem o que me afaste da presença dEle.
Perdão por acreditar na evolução das espécies. Sei que não viemos do macaco, mas eu acredito em um Deus criativo que nos deu a capacidade de evoluir até alcançarmos a estatura de varão perfeito, que é o que Ele quer. Eu sei que é difícil, mas desculpe, também, por concordar com o Big Bang, a explosão que gerou todo o universo. No princípio a terra era sem forma e vazia e Deus fez tudo do nada, em uma explosão de amor.
Perdão por não acreditar em suas profetadas e suas palavras sem significado. Eu sei que Deus tem grandes bênçãos para mim. Bem sei que a Palavra de Deus é a melhor profecia que posso ouvir na vida e que é esperança para todo aquele que nEle crê. Argumentos, idéias vagas e pressupostos não são a palavra de Deus. Porém, uma arguta e direta interpelação, sim, por esta tenho respeito.
Perdão por não ver pecado em todos os pecados que você vê. Não sei se você entende, mas Deus está dentro de mim, e não nas roupas que visto, ou na comida que como, ou no dia que descanso. Deus transcende a realidade humana, não emana dela.
Peço, humildemente, perdão por pensar que o evangelho tem mais significado do que simbolismo e que a humanidade precisa mais de Deus do que Ele precisa dela, e mesmo assim, despretensiosamente, ele a ama como um louco. Desculpe por chamar Deus de louco, mas a sua loucura extrapola a nossa razão.
Peço perdão por não acreditar em obras como forma de salvação, mas valoriza-las como demonstração de gratidão ao nosso Deus, que fez a obra perfeita na cruz do calvário, salvando-nos e levando-nos ao reino da sua maravilhosa luz. Perdão por permitir que minha gratidão a Deus se exponha por meio destas obras. Eu sei que isso expõe o pouco que você ridiculamente finge fazer por Deus dentro de suas quatro paredes chamadas igreja institucional.
Peço perdão, por fim, por não ter certeza acerca de minha salvação, e por busca-la com temor e tremor dia após dia, lutando contra a carne, contra o mundo e contra demônios para me aproximar mais e mais do meu Criador. Perdão por querer parecer com Ele, e não com qualquer um de vocês.
Será que vocês podem me perdoar?

Texto originalmente publicado no "Meu Lar é Onde Estão Meus Sapatos". Visitem.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Eu tô falando de amor



Não estou falando das suas dificuldades, nem das minhas limitações. Não estou falando do seu perdão, ou da minha dificuldade de apagar o passado da minha memória, eu estou falando de amor.

Eu podia falar das estrelas, e do vento batendo no seu rosto. Podia falar do chão de areia roçando meus pés. Podia ser uma incognita e o que eu falo podia ser um mistério. Eu podia ser puro e você ainda me julgaria, eu podia ser mais desviado do que já sou e você talvez me absolvesse, mas eu estou falando de amor.

Eu estou falando de algo mais profundo e não da superficialidade dos relacionamentos. Estou falando de alma, de espírito e carne, estou falando de abraço apertado e sentimento raro, eu estou falando de amor.

Podia falar sobre os poemas que já foram escritos, ou dos gritos de horror, falar de guerras, falar de dor, ou falar da alegria, do gozo, do cansaço, mas estou falando de amor.

E você? Do que está falando?

domingo, 14 de novembro de 2010

Colaboração

Gente, agora além de escrever aqui e no Web Benção, também estou colaborando com o http://www.fiqueligado.com.br/ com críticas de cinema e literatura.

Acompanhem!

E sigam-me no twitter, se quiserem dar boas risadas: @joothiago

Espero vocês por lá.

Até mais!

João Thiago

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Amar na diferença

Hoje, mais cedo, no Twitter, vi a mensagem de um importantissimo pastor brasileiro que falava sobre o Grammy Latino e do fato de que ele queria um Grammy Brasileiro.

O fato importante nesta história não é a festa do Grammy ser elegante ou não. As diferenças entre a cultura brasileira e a latina são gritantes, mas a língua não unifica a América. As diferenças entre a Argentina e a Colômbia, por exemplo, são tão grandes quanto.

Acaso não podemos absorver a cultura latina? Não podemos ouvir Marcos Witt? Não temos a capacidade de nos fazer entender?

Talvez o Grammy não precise ser dividido entre Brasil e América Latina. Talvez ele precise, sim, de uma revisão, com claro respeito pelas características de cada país.

Assim como existe o prêmio para o melhor grupo de Rumba, deveria existir para o melhor grupo de Samba.

A cultura latinoamericana é tão rica quanto a brasileira. Precisamos compartilhar isso. Vencer as barreiras linguisticas que nos separam de nossos vizinhos (culturalmente mais ricos que nós, em alguns aspectos) e agir em prol do crescimento.

Não adianta criar nosso guetos. Não podemos viver ilhados.

Nenhum homem é uma ilha, e nenhuma cultura o é também.

Segregar, separar, achar que não podemos nos misturar a eles é negar nossa própria essência como país que se miscigena. Nossa história é marcada por sangue misturado e não por anglicismos segregacionistas. Somos, provavelmente, o país mais globalizado do mundo, pois nossa cultura é rica em influências de todos os continentes, desde os rincões da áfrica até o alto mississipi, todos têm um dedo em nossa música.

Até nossos vizinhos latinoamericanos.

O prêmio precisa, sim, ser repensado. Porém, separar o Brasil é negar a importância de um prêmio de tal magnitude. O Grammy precisa nos unir, não nos separar.

O que o artista brasileiro precisa é perder o medo de atravessar a fronteira e conhecer as flautas colombianas e sua sonoridade. Conhecer o acordeon argentino e sua tragicidade. Olhe para a beleza da música latinoamericana.

Artista brasileiro: ouça guarânias, ouça cúmbia, ouça salsa, mambo, ouça calipso. Seja menos orgulhoso e deixe seus ouvidos serem conhecedores do som da américa que te cerca.

E, por favor, páre de achar que somos diferentes. Somos todos feitos da mesma carne, temos todos um mesmo pai, não temos porque achar que somos melhores que nossos irmãos.

O amor e as suas várias faces



Eu amei alguém por muito tempo. Quase dez anos, sabe? É um terço da minha vida. Toda minha vida adulta. Depois de um tempo, não sabia o que fazer com aquele amor. Fui ensinado que o amor é uma coisa estática e extática: Não se modifica e te deixa em êxtase. Me enganei em relação as duas coisas.

Amei outra pessoa, por bem menos tempo. Tão intensamente quanto? Não sei precisar. Amor não é estático, não tem como mensurar. Se a gente estivesse falando de uma linha reta, mas é estrada tortuosa, cheia de meandros e áreas de escape.

Amei antes, também, outras pessoas, e descobri que o amor é um ser vivo. Ele nasce em nossos corações, cresce em nossas mentes, se reproduz (ou não) no coração do outro, cresce mais em ambos e pode morrer a qualquer momento.

Ou não.

O amor pode mudar e se tornar algo diferente, algo mais profundo.

Mas os dois têm que saber que o amor muda. Se apenas um souber disso, esqueça. O amor morre.

Pois, a partir do momento em que ele se reproduz, para continuar vivo, ele precisa de ambos envolvidos nele.

O amor não é eterno, pois eternidade pressupõe imutabilidade. O amor é transitório, grandeza mutante, sentimento que não se enquadra em explicações lógicas e razoáveis. Aliás, o que tem o amor de razoável?

Amor não se mede por intensidade. Não existe uma amperagem certa para se amar, simplesmente amamos, uns de um jeito, outros de outro jeito, mas amamos, todos, buscamos ver no outro um pouco da felicidade que queremos viver em nós.

Instável, ilógico, transitório, mutante. Amor, sim, senhoras e senhores. Amor...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

I never gonna stop the rain by complaining



Pergunto por que a gente demora tanto para aprender isso. Porque nós não aprendemos que não podemos fazer parar de chover reclamando? Abramos guarda-chuvas!

Reclamações, mau humor, a partir de certo ponto deixa de ser charme e passa a ser chato e só. Afasta as pessoas e deixa todo mundo mal.

Passei uns dias de cão, viu? Reclamei de tudo, xinguei, fiz manha, queria atenção. (atenção de uma pessoa em especial, com quem estive semana passada, cuja companhia eu adorei, mas que não me deu muita bola, decerto).

Aí, ontem, em uma ligação noturna (parece que a gente tem bola de cristal um para o outro) outra pessoa me colocou no meu devido lugar. "Pára de chorar feito uma criança!"

Sim. Eu vinha agindo como criança. É hora de levantar a cabeça e partir para cima, cair para dentro, encarar o mundo não com cara fechada, mas com um sorriso no rosto!

Deixe de chorar feito criança. Você não pode parar a chuva com suas reclamações. Chove sobre a cabeça dos justos e dos injsutos, não é isso que diz Salomão no livro do Eclesiastes?

Pois é. Queira você ou não, a chuva vai continuar.

Só sei que hoje tem um dia lindo de sol lá fora. E aí? Vai ficar no sofá chorando a morte da bezerra ou vai criar vergonha na cara e fazer alguma coisa com sua vida?

Que tal começar com um sorriso? É assim que resolvi começar o dia hoje. E tudo mudou!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Epitáfio



O texto abaixo foi publicado em meu primero blog e retrata o sentimento que quero passar. Esta música também retrata este sentimento.

Epitáfio
Por João Thiago

Aqui jaz um homem que gostaria de ter vivido mais. Seus restos mortais já foram retirados e doados para alguém que os usará melhor, mais intensamente e com mais amor que ele. Suas memórias não ocupam sequer uma pasta suspensa no grande arquivo da humanidade e seus sonhos eram tão ínfimos que são apenas notas de rodapé nos sonhos de alguém. Morreu sem saber quem era.

Não quero este epitáfio em minha lápide quando morrer (exceto pela parte onde fala sobre doações de órgãos). Não quero viver pela metade, nem sonhar pela metade, nem amar pela metade.

Metade de nossa vida passamos nos relacionando. A outra metade, ficamos divagando sozinhos, assistindo TV, ou fazendo alguma outra coisa sem muita utilidade para a humanidade. Alguns garotos ainda passam grande parte do tempo de suas vidas relacionando-se consigo mesmos, o que é uma grande perda de tempo, mas não vou entrar neste assunto, que é delicado demais para tratar aqui.

Neste momento, estou vivendo a metade importante da minha vida. Estou me relacionando com as pessoas que lêem meu blog. Escrevendo, estou compartilhando com alguém as minhas impressões de vida, minhas idéias, meus ideais, meus sonhos. Os princípios básicos que regem o ser humano estão baseados em relacionamentos, na forma como agimos e reagimos ao outro, nosso igual.

Em meu epitáfio, gostaria de ler algo assim:

Aqui jaz um homem que viveu demais. Seus restos mortais foram doados para pessoas que ele espera que usem com tanta intensidade com quanto os usou antes. Suas memórias serão lembradas por toda a humanidade e seus feitos se tornarão lendas. Ele sorriu com os que sorriam, chorou com os que choraram, lutou ao lado dos que lutaram, e apoiou os que tinham medo de lutar. Seus sonhos transformaram os sonhos daqueles que o cercaram e ele fez diferença na vida daqueles que acreditaram nele. Ele sabia quem era. Deixará saudades para todos os que o encontraram.

Arrogância? Não. Quem não quer um epitáfio destes? Ter seus sonhos lembrados, ter seus atos cantados em canções? Vivo em um mundo meio capa-e-espada, como um cavaleiro da távola redonda, buscando salvar a donzela indefesa que é a humanidade. Às vezes me imagino em um cavalo branco, lutando contra dragões, bruxas e outros seres ainda mais vis. Na minha concepção de mundo tudo é muito simbólico.

Mas esta é uma das minhas buscas: fazer diferença de forma que, depois de eu morrer, minha foto figure em livros de história como sendo algum tipo de pessoa que fez a diferença. Posso dizer, honestamente, que parece que isto é procurar a glória própria, mas não. Não é isso que quero.

Quero ter relevância. Na estrada da humanidade, onde todos somos pedrinhas de asfalto, há pessoas que são grandes lombadas, onde os carros da memória precisam passar com mais vagar e dizer “olhem, esta lombada existe”, enquanto a maioria de nós não é mais que um paralelepípedo perdido, querendo ser aquele aclive onde todos precisam ter cuidado.

O desejo honesto de todos nós é ter relevância. Fazer a diferença, sem arrogância. Sou jornalista, sofro da síndrome de Clark Kent: quero mudar o mundo.

Talvez não cantem minhas glórias, talvez não lembrem minhas histórias, talvez meus órgãos não possam ser doados, nem meus sonhos influenciem os sonhos dos que me cercam. Mas sei que sentirão saudades de mim, e isto é fundamental para mim, como o ar que respiro. Meu epitáfio poderia se resumir à última frase: deixará saudades para todos que o conheceram.

domingo, 31 de outubro de 2010

Voar



A mente avisa
Não corra risco
Mas na beira
Do precipício
Não tem como
Não escolher

No rosto, o vento
Açoite lento
Batendo dentro
A vontade de voar

"Coragem", diz o coração
"Nãos e entregue, diz a mente
Nos compassos desta canção
O corpo, matéria latente
Indefine-se lançar ou não.

então, fecho os olhos
abro os braços e me lanço
Incerto do destino
Incerto desatino
Que me fez me entregar

Voo ou caio,
Não sei, mas saio
Da zona de conforto
E confronto
Meus medos tontos

Coragem, ousadia
Um novo vento me eleva
A novas alturas
Sem nostalgia
Sem saudades
Só o vento
Na bagagem

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Controle

A independência tem um preço alto. É um certo tipo de rebeldia diante do sistema em que vivemos, onde todos querem controlar uma parcela pequena ou grande de você.
O controle vicia. As pessoas que nos querem controlar não o fazem por mal, ao contrário, têm as melhores intenções, o coração cheio de amor e preocupações com nosso andar, nosso falar, nosso vestir, nosso crer. São pessoas que nos amam de verdade e que não querem que nós sejamos do jeito que queremos ser.

Querem que sejamos do jeito delas, pois o jeito delas é o certo.

Nós também somos assim.

Achamos que o certo para nós é o certo para os outros, quando a nossa criação é diferente, quando nossas crenças (políticas, religiosas, morais e éticas) são diferentes, o nosso mundo é diferente. Cada pessoa é única e cada escolha, cada ideia são únicas também.

A capacidade de escolher nos foi dada por um motivo: Deus sabia que erraríamos e que, quando errássemos, aprenderíamos. Errar faz parte de nosso processo de aprendizabgem. Caímos e levantamos. A resiliência é uma capacidade preponderante no ser humano.

Deixe-se errar. E deixe que errem a sua volta. Aquela história de aprender com o erro dos outros serve para algumas coisas. Para outras é preciso que você erre.

Afinal, só uma pessoa pode controlar a sua vida e é você mesmo.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Sonhos



Sabe lá o que é ter um sonho? Sabe lá o que é abrir mão de toda uma vida em nome de um sonho, de algo em que acreditamos, simplesmente porque acreditamos que aquilo é o certo, enfrentar o medo da incerteza, as tempestades de dúvidas, o mar revolto das opiniões alheias, o barco fraco da nossa fé.

Carregamos os sonhos dentro deste barco, acreditamos que ele pode chegar do outro lado, onde os sonhos tornam-se realidade. Lutamos contra as adversidades, batalhamos contra as incertezas, enfrentamos granizo, medo, dúvidas, ventanias, mas seguimos em frente.

Por que?

Porque não estamos sozinhos no barco, e, por mais que ele seja fraco (é o barco da nossa fé vacilante, lembra?) quem está conosco é mais forte que qualquer borrasca e pode apenas levantar a mão e dizer "chuva, pare".

Mas aí, qual o valor da jornada?

Deixe que chova, deixe que o vento bata, que o mar, revolto jogue seu barco de um lado para o outro. Quando você chegar do outro lado e vir seus sonhos realizados, verá que tudo valeu a pena.

"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena" (Fernando Pessoa)


Don't Stop Believin'

Steve Pery/Jonathan Cain/Neal Schon (Journey - Versão acima da série Glee, onde jovens correm atrás de um sonho e não desistem com todas as dificuldades que enfrentam)

Just a small town girl

Livin' in a lonely world
She took the midnight train going anywhere
Just a city boy
Born and raised in South Detroit
He took the midnight train going anywhere

A singer in a smoky room
The smell of wine and cheap perfume
For a smile they can share the night
It goes on and on and on and on

Strangers waiting
Up and down the boulevard
Their shadows searching in the night
Streetlights people
Living just to find emotion
Hiding somewhere in the night

Working hard to get my fill
Everybody wants a thrill
Payin' anything to roll the dice
Just one more time

Some will win, some will lose
Some were born to sing the blues
Oh, the movie never ends
It goes on and on and on and on

Strangers waiting
Up and down the boulevard
Their shadows searching in the night
Streetlights people
Living just to find emotion
Hiding somewhere in the night

(3x)
Don't stop believin'
Hold on to the feelin'
Streetlights people

Apenas uma canção que gosto e que alguém lembrou hoje



Vivia a te buscar


Porque pensando em ti

Corria contra o tempo

Eu descartava os dias

Em que não te vi

Como de um filme

A ação que não valeu

Rodava as horas pra trás

Roubava um pouquinho

E ajeitava o meu caminho

Pra encostar no teu



Subia na montanha

Não como anda um corpo

Mas um sentimento

Eu surpreendia o sol

Antes do sol raiar

Saltava as noites

Sem me refazer

E pela porta de trás

Da casa vazia

Eu ingressaria

E te veria

Confusa por me ver

Chegando assim

Mil dias antes de te conhecer

domingo, 17 de outubro de 2010

Pessoas

Há uma pessoa que conheço que tem me deixado deveras orgulhoso. Ela nunca admitiria que eu dissesse isso, mas é verdade. Não direi quem é, mas ela está me deixando muito orgulhoso.
Ve-la de pé me deixa feliz. Vejo que posso acreditar em recuperações, e na capacidade e resiliência do ser humano.
Continue se levantando. Mostre o quanto é digna, e forte.

Eu sempre acreditei em você!

Marcas


Conheço a história de um homem que manca. Ele teve uma briga séria no passado, tentou encarar alguém muito mais forte que ele. O outro cara só tocou na coxa dele, foi o bastante para deslocar o fêmur. O Tiago nunca mais andou corretamente.

Mas ele agradece todos os dias por este acontecimento, que, por mais difícil que seja, foi o divisor de águas da vida dele.

A nossa história tem momentos bons e momentos ruins. Momentos insignificantes e momentos realmente marcantes, novos nascimentos. A jornada de vida de uma pessoa pode ser avaliada de acordo com o que ela avalia serem os momentos marcantes e os momenso indiferentes. Tiago, este homem que manca, sabia que, lutar com aquele homem que era mais forte que ele, era um dos grandes momentos de sua vida.

Ele fez muita coisa errada. Uma das piores foi roubar uma fortuna que era do seu irmão por direito. Pois o Tiago conseguiu tirar do Esaú o que ele tinha direito de receber. Enganou o pai, fugiu para longe, se apaixonou por uma mulher, foi enrolado pelo sogro, teve que casar com a irmã mais velha da mulher que amava, trabalhou de graça...

Então, um dia, resolveu voltar e tentar se arrumar com o irmão. Precisava colocar a vida nos eixos.

Encarar aquele homem no meio da jornada o fez crescer.

Ah, sim, o Tiago é Jacó. (Tiago - Yacov - Jacob - Jacó, entendeu?) Aquele da bíblia, o suplantador, o que rouba. Sim. E o cara que ele encarou foi o próprio Deus.

A partir daquele encontro, cada passo que Jacó desse o faria lembrar que Deus o havia encontrado e mudado a sua vida. Deus deixa marcas em nós, para que não nos esqueçamos que Ele passou pelas nossas vidas.

Acho que é por isso que meu coração se esvazia as vezes. Tenho sentido falta de brigar com Ele. Mesmo sabendo que eu vou perder é tão bom saber que Ele quer se dar este trabalho...

A vida de cada um é cheia de marcas. Não esqueça: as suas cicatrizes dizem mais sobre quem você é do que seus sorrisos.

Deixe-se marcar pelo amor!

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Amigos

Fazia tempoq ue não tinha uma turma de amigos. Tinha perdido a noção do quanto isso é importante, divertido e necessário.
Sim, necessário, sim.
Fazia dois meses que estava indo ao cinema sozinho, passeando sozinho, andando sozinho.
Solidão atordoa a gente, deixa meio anestesiado para o mundo.
Anestesia não é bom. O choque é o melhor, pois nos mantém acordados.
Amigos são bons para nos dar estes choques de vez em quando.
Sem contar que gera uma relação de interdependência com as demais pessoas do mundo. vínculos, elos de amor que unem as pessoas. As amizades são passos para uma vivência social que enriquece nosso ser individual.
Isso tudo é meio óbvio, mas foi só para dizer.
É bom ter amigos de novo.

domingo, 10 de outubro de 2010

Para pensar

Uma amiga chamada Catia Ana do http://catiailustradora.blogspot.com/ fez a tirinha abaixo e eu achei super apropriada para pensarmos.

Clica na imagem que cresce, viu?

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O arrependimento de não ter tentado



Alguns meses atrás tomei uma decisão que mudou drásticamente a minha vida e a vida de muitas pessoas a minha volta. Quando digo drasticamente, quero dizer drasticamente mesmo. Foi uma decisão unilateral, algo que nunca tinha feito em minha vida. Eu tomei uma decisão por mim mesmo, sem a influência de ninguém, indo contra a minha própria natureza insegura, minha natureza dependente, minha natureza amedrontada.

Mergulhei em um profundo abismo existencial após a tomada desta decisão, pensei se havia feito a coisa certa, ou a coisa errada.

Então cheguei a uma conclusão muito simples.

Não existia a coisa certa ou errada a se fazer. Ou eu fazia algo ou deixava tudo como estava, fingia que estava feliz comigo mesmo, continuava vivendo pela metade, trabalhando pela metade, amando pela metade.

E, diga-se de passagem, amando pela metade alguém que merece muito mais amor do que eu dei a ela.

Não me arrependo da decisão que tomei. Teria me arrependido se não tivesse feito nada com minha vida.

Os grilhões que me prendiam a uma série de valores e interpretações erradas, e culpas e remorsos começaram a se quebrar. A influência de alguns amigos (crentes ou não) foi preponderante para me levantar. Ver e viver situações que não teria visto ou vivido se as coisas continuassem como estavam também. Creio ter chegado ao meio, resolvido metade dos problemas de uma série. Estou mais seguro, mais livre, mais dono de mim mesmo.

Errar uma, errar duas, errar três
Até que o erro
Se acerte de vez
(meu, mas adaptado de algum poema de alguém que não lembro quem)