terça-feira, 30 de novembro de 2010

Sapato velho



Não sei o que escrever sobre esta música. Talvez não admita que sou um sapato velho. Não tenho facilidade de admitir meus erros, nem de confessar que já fui melhor.

Mas será que fui?

Será que não sou melhor agora que resolvi assumir quem sou de verdade? Que resolvi entender a mim mesmo enquanto ser humano, homem e apaixonado pela vida?

Um sapato velho? Sapatos velhos são mais confortáveis, mais macios, mais fáceis de lidar. Sapatos novos causam bolhas e calos, fazem mal a joanete e aos calcanhares. Sapatos novos são apertados e nos causam desconforto.

Parece com ideias novas, não parece? Ideias que nos causam desconforto, nos descompensam, nos dão mal estar.

Quem está pronto para deixar de ser sapato velho, não é? Estamos conformados a nossas vidas. Amamos de forma lassa, solta, frouxa, sem controlar intensidade e verdade. Sentimos tudo na superfície e achamos que estamos no profundo de nossas almas. Pensamos que tudo é importante, mesmo o que não é.

Sapatos novos nos mostram que existem calos para lixar e bolhas para estourar. Não é extravagância, mas constância e continuidade que faz com que os sapatos se adaptem a nós. Se usarmos os sapatos novos apenas em ocasiões especiais, demorará mais para que nopssos pés se adaptem a eles.

Quero me adaptar aos novos sapatos que estou usando. Meus pés não podem doer mais. Não os quero doendo nunca mais.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Muita calma nessa hora



Nem sempre as coisas andam do jeito que a gente gostaria que andassem. Muitas vezes (na maioria, na verdade) temos que entender e aceitar que o universo se move por forças muito maiores do que nós mesmos. Alguns chamam de destino, outros, de forças da natureza, outros, ainda, de acaso. Prefiro chamar de vontade de Deus.

Não estou falando do grande plano de Deus para a humanidade. Não se trata de um grande complô celestial para nos manipular.

É apenas a mão de Deus mantendo as coisas no lugar.

E quando vemos que, apesar de não sairem como queremos, elas acontecem, de uma forma ou de outra, podemos ficar aliviados.

Um velho ditado judeu fala para tomarmos cuidado com nossos desejos, pois eles podem se realizar. Nem sempre o que queremos é o melhor para nós, mas dizer que não podemos lutar pelo que acreditamos seria conformismo. Dizer que não temos como fugir do determinismo é uma balela. Temos poder de escolha, livre arbítrio e contra isso não existe determinismo o bastante para nos segurar.

Porém, muita calma nessa hora.

Nossas escolhas devem ser medidas com cuidado e acurácia. Toda a atenção ainda é pouco para mexer os fios tecidos de nossas vidas. Como em uma cama de gato, qualquer movimento errado pode nos comprometer.

Escolhas definem os nossos caminhos e os caminhos das pessoas que nos cercam. Por conta de uma escolha você pode salvar ou destruir a própria vida e a de muitos. Olhe direito para suas escolhas, elas definem você.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Avivamento?



Hoje o Rio de Janeiro está passando por momentos de extrema tensão graças a investida da polícia sobre os morros. Uma verdadeira situação de guerra, envolvendo BOPE, Exército, Marinha, tanques de guerra, imprensa, etc e tal.

Hoje, pastores e pastoras de todo o Brasil, direto da segurança de suas casas, ligaram seus Twitters no 220V mandando orações para o povo carioca.

Alguns pastores do Rio de Janeiro não estavam na cidade misteriosamente, mesmo não tendo agenda fora.

Mas as ovelhas estavam lá, no meio do fogo cruzado.

Até quando nossa hipocrisia nos impedirá de ver que o tal avivamento não é uma "energia que vem do céu", mas uma série de atitudes que deveriam ser a espinha dorsal de uma igreja.

As pessoas pensam que precisam que o poder venha para elas começarem a agir, quando, na verdade, elas precisam agir para que o poder venha.

É o velho paradoxo de tostines, mas envolve, no caso de hoje, uma cidade sitiada por bandidos.

A igreja não está dentro dos muros seguros dos prédios denominacionais. Quando falamos "nossa igreja" estamos nos incluindo em um grupo que pode falar isso, portanto, excluindo todos os que não compactuam da mesma visão.

Sim. A "nossa igreja" não é um termo inclusivo, mas excludente, por fazer com que você participe de algo de que o outro não faz parte.

E se você não a tornar atraente, o outro vai continuar não querendo fazer parte.

Se a igreja quer mesmo ser pertinente no Brasil, é hora de parar de discursar em 140 toques e começar a se mover, ou em 140 anos ainda teremos o mesmo problema que vemos hoje.

Se a igreja continuar a não cumprir seu papel social alguém vai faze-lo e dar a esperança que o povo precisa.

Jesus estará lá de qualquer jeito, esteja a igreja ou não. Pois ele não ama apenas a "nós", mas a todos, independente se creem nele ou não. Ele vai protege-los.

Não sejamos mais hipócritas. Eu não quero saber de suas orações pelo Rio de Janeiro. Não existem "Boas energias", mas sim "boas ações" que podem transformar a cidade maravilhosa.

Não depende de Deus derramar, mas de você agir. Isso é avivamento. Isso é transformação.

Transformação que a maior parte dos pastores não quer. Sair da zona de conforto? Para que?

Orem, sim. Mas façam alguma coisa, pelo amor de Deus!

domingo, 21 de novembro de 2010

Será que vocês podem me perdoar?


Desculpem por ser honesto, mas faz parte de mim não conseguir esconder o que sinto. Desculpem, também, por não ser claro. Os pensamentos não se desanuviam em minha mente com tanta facilidade quanto na sua. Não sou sempre compreensível. Me expresso muito melhor no papel do que na palavra.
Me desculpem por escrever tantas coisas que parecem heresias, mas que na realidade não passam de fruto de um relacionamento íntimo demais com meu Deus, de forma tal que tento me confundir com Ele o tempo todo (Eles um em mim, como sou um em ti).
Especialmente no que tange às diversas formas de amor, peço desculpas por ser mais tolerante com os que amam errado do que o normal. É compreensível que vocês me censurem por ter um coração grande demais, afinal, em uma visão limitada de mundo, só há espaço para os que são iguais e se vitimam em busca de atenção.
Perdão por gostar dos Beatles, e de Rita Lee também. Desculpem por ler Rousseau, Sartre, Descartes e perdão por amar a verdadeira interpretação das palavras de Nietsche. Deus morreu no coração dos homens, que preferiram erguer novos mitos para idolatrar. O “Super-homem”. Não consigo adorar homens, mas respeita-los. Não consigo apenas respeitar Deus, mas adora-lo em espírito e em verdade.
Mil perdões por eu não me adaptar à sua visão pequena de igreja. Não consigo me imaginar confinado em um cubículo para sentir a presença de um Deus que se manifesta onde quer. Respeito a instituição, mas não acredito que, em si, ela tenha muito valor.
Com todo respeito, preciso discordar de sua aritmética ministerial, que privilegia meia dúzia de bajuladores em detrimento de pessoas que estão interessadas em beber de águas vivas que fluem do trono de Deus, e não de homens. Perdão se não concordo estupidamente com seus argumentos e sua falácia vazia. Não me agrada a voz doce, mas a Palavra da Verdade.
Acima de tudo, perdão por acreditar em um Deus que extrapola a sua e a minha compreensão. Perdão por que eu vejo o impossível nas pequenas coisas e gosto de ouvir, no silêncio e não na gritaria a voz de Deus e encontrar-me com ele na solidão e não na multidão.
Perdão, do fundo do meu coração, por confessar-me pecador. E mais perdão ainda por eu não ter vergonha de admitir minha séria e inexorável condição diante das pessoas, em um altar. Nu vim a este mundo e nu quero deixa-lo. Sem segredos, sem o que me esconda de Deus, sem o que me afaste da presença dEle.
Perdão por acreditar na evolução das espécies. Sei que não viemos do macaco, mas eu acredito em um Deus criativo que nos deu a capacidade de evoluir até alcançarmos a estatura de varão perfeito, que é o que Ele quer. Eu sei que é difícil, mas desculpe, também, por concordar com o Big Bang, a explosão que gerou todo o universo. No princípio a terra era sem forma e vazia e Deus fez tudo do nada, em uma explosão de amor.
Perdão por não acreditar em suas profetadas e suas palavras sem significado. Eu sei que Deus tem grandes bênçãos para mim. Bem sei que a Palavra de Deus é a melhor profecia que posso ouvir na vida e que é esperança para todo aquele que nEle crê. Argumentos, idéias vagas e pressupostos não são a palavra de Deus. Porém, uma arguta e direta interpelação, sim, por esta tenho respeito.
Perdão por não ver pecado em todos os pecados que você vê. Não sei se você entende, mas Deus está dentro de mim, e não nas roupas que visto, ou na comida que como, ou no dia que descanso. Deus transcende a realidade humana, não emana dela.
Peço, humildemente, perdão por pensar que o evangelho tem mais significado do que simbolismo e que a humanidade precisa mais de Deus do que Ele precisa dela, e mesmo assim, despretensiosamente, ele a ama como um louco. Desculpe por chamar Deus de louco, mas a sua loucura extrapola a nossa razão.
Peço perdão por não acreditar em obras como forma de salvação, mas valoriza-las como demonstração de gratidão ao nosso Deus, que fez a obra perfeita na cruz do calvário, salvando-nos e levando-nos ao reino da sua maravilhosa luz. Perdão por permitir que minha gratidão a Deus se exponha por meio destas obras. Eu sei que isso expõe o pouco que você ridiculamente finge fazer por Deus dentro de suas quatro paredes chamadas igreja institucional.
Peço perdão, por fim, por não ter certeza acerca de minha salvação, e por busca-la com temor e tremor dia após dia, lutando contra a carne, contra o mundo e contra demônios para me aproximar mais e mais do meu Criador. Perdão por querer parecer com Ele, e não com qualquer um de vocês.
Será que vocês podem me perdoar?

Texto originalmente publicado no "Meu Lar é Onde Estão Meus Sapatos". Visitem.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Eu tô falando de amor



Não estou falando das suas dificuldades, nem das minhas limitações. Não estou falando do seu perdão, ou da minha dificuldade de apagar o passado da minha memória, eu estou falando de amor.

Eu podia falar das estrelas, e do vento batendo no seu rosto. Podia falar do chão de areia roçando meus pés. Podia ser uma incognita e o que eu falo podia ser um mistério. Eu podia ser puro e você ainda me julgaria, eu podia ser mais desviado do que já sou e você talvez me absolvesse, mas eu estou falando de amor.

Eu estou falando de algo mais profundo e não da superficialidade dos relacionamentos. Estou falando de alma, de espírito e carne, estou falando de abraço apertado e sentimento raro, eu estou falando de amor.

Podia falar sobre os poemas que já foram escritos, ou dos gritos de horror, falar de guerras, falar de dor, ou falar da alegria, do gozo, do cansaço, mas estou falando de amor.

E você? Do que está falando?

domingo, 14 de novembro de 2010

Colaboração

Gente, agora além de escrever aqui e no Web Benção, também estou colaborando com o http://www.fiqueligado.com.br/ com críticas de cinema e literatura.

Acompanhem!

E sigam-me no twitter, se quiserem dar boas risadas: @joothiago

Espero vocês por lá.

Até mais!

João Thiago

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Amar na diferença

Hoje, mais cedo, no Twitter, vi a mensagem de um importantissimo pastor brasileiro que falava sobre o Grammy Latino e do fato de que ele queria um Grammy Brasileiro.

O fato importante nesta história não é a festa do Grammy ser elegante ou não. As diferenças entre a cultura brasileira e a latina são gritantes, mas a língua não unifica a América. As diferenças entre a Argentina e a Colômbia, por exemplo, são tão grandes quanto.

Acaso não podemos absorver a cultura latina? Não podemos ouvir Marcos Witt? Não temos a capacidade de nos fazer entender?

Talvez o Grammy não precise ser dividido entre Brasil e América Latina. Talvez ele precise, sim, de uma revisão, com claro respeito pelas características de cada país.

Assim como existe o prêmio para o melhor grupo de Rumba, deveria existir para o melhor grupo de Samba.

A cultura latinoamericana é tão rica quanto a brasileira. Precisamos compartilhar isso. Vencer as barreiras linguisticas que nos separam de nossos vizinhos (culturalmente mais ricos que nós, em alguns aspectos) e agir em prol do crescimento.

Não adianta criar nosso guetos. Não podemos viver ilhados.

Nenhum homem é uma ilha, e nenhuma cultura o é também.

Segregar, separar, achar que não podemos nos misturar a eles é negar nossa própria essência como país que se miscigena. Nossa história é marcada por sangue misturado e não por anglicismos segregacionistas. Somos, provavelmente, o país mais globalizado do mundo, pois nossa cultura é rica em influências de todos os continentes, desde os rincões da áfrica até o alto mississipi, todos têm um dedo em nossa música.

Até nossos vizinhos latinoamericanos.

O prêmio precisa, sim, ser repensado. Porém, separar o Brasil é negar a importância de um prêmio de tal magnitude. O Grammy precisa nos unir, não nos separar.

O que o artista brasileiro precisa é perder o medo de atravessar a fronteira e conhecer as flautas colombianas e sua sonoridade. Conhecer o acordeon argentino e sua tragicidade. Olhe para a beleza da música latinoamericana.

Artista brasileiro: ouça guarânias, ouça cúmbia, ouça salsa, mambo, ouça calipso. Seja menos orgulhoso e deixe seus ouvidos serem conhecedores do som da américa que te cerca.

E, por favor, páre de achar que somos diferentes. Somos todos feitos da mesma carne, temos todos um mesmo pai, não temos porque achar que somos melhores que nossos irmãos.

O amor e as suas várias faces



Eu amei alguém por muito tempo. Quase dez anos, sabe? É um terço da minha vida. Toda minha vida adulta. Depois de um tempo, não sabia o que fazer com aquele amor. Fui ensinado que o amor é uma coisa estática e extática: Não se modifica e te deixa em êxtase. Me enganei em relação as duas coisas.

Amei outra pessoa, por bem menos tempo. Tão intensamente quanto? Não sei precisar. Amor não é estático, não tem como mensurar. Se a gente estivesse falando de uma linha reta, mas é estrada tortuosa, cheia de meandros e áreas de escape.

Amei antes, também, outras pessoas, e descobri que o amor é um ser vivo. Ele nasce em nossos corações, cresce em nossas mentes, se reproduz (ou não) no coração do outro, cresce mais em ambos e pode morrer a qualquer momento.

Ou não.

O amor pode mudar e se tornar algo diferente, algo mais profundo.

Mas os dois têm que saber que o amor muda. Se apenas um souber disso, esqueça. O amor morre.

Pois, a partir do momento em que ele se reproduz, para continuar vivo, ele precisa de ambos envolvidos nele.

O amor não é eterno, pois eternidade pressupõe imutabilidade. O amor é transitório, grandeza mutante, sentimento que não se enquadra em explicações lógicas e razoáveis. Aliás, o que tem o amor de razoável?

Amor não se mede por intensidade. Não existe uma amperagem certa para se amar, simplesmente amamos, uns de um jeito, outros de outro jeito, mas amamos, todos, buscamos ver no outro um pouco da felicidade que queremos viver em nós.

Instável, ilógico, transitório, mutante. Amor, sim, senhoras e senhores. Amor...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

I never gonna stop the rain by complaining



Pergunto por que a gente demora tanto para aprender isso. Porque nós não aprendemos que não podemos fazer parar de chover reclamando? Abramos guarda-chuvas!

Reclamações, mau humor, a partir de certo ponto deixa de ser charme e passa a ser chato e só. Afasta as pessoas e deixa todo mundo mal.

Passei uns dias de cão, viu? Reclamei de tudo, xinguei, fiz manha, queria atenção. (atenção de uma pessoa em especial, com quem estive semana passada, cuja companhia eu adorei, mas que não me deu muita bola, decerto).

Aí, ontem, em uma ligação noturna (parece que a gente tem bola de cristal um para o outro) outra pessoa me colocou no meu devido lugar. "Pára de chorar feito uma criança!"

Sim. Eu vinha agindo como criança. É hora de levantar a cabeça e partir para cima, cair para dentro, encarar o mundo não com cara fechada, mas com um sorriso no rosto!

Deixe de chorar feito criança. Você não pode parar a chuva com suas reclamações. Chove sobre a cabeça dos justos e dos injsutos, não é isso que diz Salomão no livro do Eclesiastes?

Pois é. Queira você ou não, a chuva vai continuar.

Só sei que hoje tem um dia lindo de sol lá fora. E aí? Vai ficar no sofá chorando a morte da bezerra ou vai criar vergonha na cara e fazer alguma coisa com sua vida?

Que tal começar com um sorriso? É assim que resolvi começar o dia hoje. E tudo mudou!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Epitáfio



O texto abaixo foi publicado em meu primero blog e retrata o sentimento que quero passar. Esta música também retrata este sentimento.

Epitáfio
Por João Thiago

Aqui jaz um homem que gostaria de ter vivido mais. Seus restos mortais já foram retirados e doados para alguém que os usará melhor, mais intensamente e com mais amor que ele. Suas memórias não ocupam sequer uma pasta suspensa no grande arquivo da humanidade e seus sonhos eram tão ínfimos que são apenas notas de rodapé nos sonhos de alguém. Morreu sem saber quem era.

Não quero este epitáfio em minha lápide quando morrer (exceto pela parte onde fala sobre doações de órgãos). Não quero viver pela metade, nem sonhar pela metade, nem amar pela metade.

Metade de nossa vida passamos nos relacionando. A outra metade, ficamos divagando sozinhos, assistindo TV, ou fazendo alguma outra coisa sem muita utilidade para a humanidade. Alguns garotos ainda passam grande parte do tempo de suas vidas relacionando-se consigo mesmos, o que é uma grande perda de tempo, mas não vou entrar neste assunto, que é delicado demais para tratar aqui.

Neste momento, estou vivendo a metade importante da minha vida. Estou me relacionando com as pessoas que lêem meu blog. Escrevendo, estou compartilhando com alguém as minhas impressões de vida, minhas idéias, meus ideais, meus sonhos. Os princípios básicos que regem o ser humano estão baseados em relacionamentos, na forma como agimos e reagimos ao outro, nosso igual.

Em meu epitáfio, gostaria de ler algo assim:

Aqui jaz um homem que viveu demais. Seus restos mortais foram doados para pessoas que ele espera que usem com tanta intensidade com quanto os usou antes. Suas memórias serão lembradas por toda a humanidade e seus feitos se tornarão lendas. Ele sorriu com os que sorriam, chorou com os que choraram, lutou ao lado dos que lutaram, e apoiou os que tinham medo de lutar. Seus sonhos transformaram os sonhos daqueles que o cercaram e ele fez diferença na vida daqueles que acreditaram nele. Ele sabia quem era. Deixará saudades para todos os que o encontraram.

Arrogância? Não. Quem não quer um epitáfio destes? Ter seus sonhos lembrados, ter seus atos cantados em canções? Vivo em um mundo meio capa-e-espada, como um cavaleiro da távola redonda, buscando salvar a donzela indefesa que é a humanidade. Às vezes me imagino em um cavalo branco, lutando contra dragões, bruxas e outros seres ainda mais vis. Na minha concepção de mundo tudo é muito simbólico.

Mas esta é uma das minhas buscas: fazer diferença de forma que, depois de eu morrer, minha foto figure em livros de história como sendo algum tipo de pessoa que fez a diferença. Posso dizer, honestamente, que parece que isto é procurar a glória própria, mas não. Não é isso que quero.

Quero ter relevância. Na estrada da humanidade, onde todos somos pedrinhas de asfalto, há pessoas que são grandes lombadas, onde os carros da memória precisam passar com mais vagar e dizer “olhem, esta lombada existe”, enquanto a maioria de nós não é mais que um paralelepípedo perdido, querendo ser aquele aclive onde todos precisam ter cuidado.

O desejo honesto de todos nós é ter relevância. Fazer a diferença, sem arrogância. Sou jornalista, sofro da síndrome de Clark Kent: quero mudar o mundo.

Talvez não cantem minhas glórias, talvez não lembrem minhas histórias, talvez meus órgãos não possam ser doados, nem meus sonhos influenciem os sonhos dos que me cercam. Mas sei que sentirão saudades de mim, e isto é fundamental para mim, como o ar que respiro. Meu epitáfio poderia se resumir à última frase: deixará saudades para todos que o conheceram.